Brasília – A Associação Brasileira de Parentes e Amigos das Vítimas de Acidentes Aéreos (Abrapavaa) vai aproveitar o movimento nos principais aeroportos do país durante o feriado da Semana Santa para recolher assinaturas pedindo a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as causas da crise do setor aéreo. A partir desta quinta-feira (5), parentes de vítimas vão se distribuir pelos aeroportos de Brasília, Manaus, Rio de Janeiro e São Paulo.

continua após a publicidade

A presidente da entidade, Sandra Assali, disse que os associados estão indignados. Se gundo ela, está na hora de abrir "essa caixa-preta".

?Quem vivenciou a experiência de um acidente aéreo e teve de contar com apoio e suporte sabe que está extremamente falha [a organização do setor] e que existem ações que poderiam ter amenizado muita coisa. A gente sabe que falta investimento não só em segurança [de vôo], mas também em equipamentos. Ou seja, na estrutura da Aeronáutica?.

Além de colher assinaturas, a associação também pretende distribuir um documento contendo informações que, segundo Assali, demonstram que os riscos enfrentados pelo setor aéreo são resultado da falta de investimentos. ?São problemas com a fiscalização, com tripulantes que viajam com exames médicos vencidos ou além da carga horária prevista, além de relatos sobre aviões que enfrentaram situações de risco?.

continua após a publicidade

De acordo com Assali, as denúncias foram oferecidas por pessoas que trabalham no setor.

Assali não teme que a associação seja acusada de apoiar partidos de oposição que lutam para ver a CPI instalada na Câmara dos Deputados. ?Como para nós é importante que os assuntos venham à tona, depois da realização da CPI a associação vai solicitar a realização de audiências públicas para discutir a questão da segurança [de vôos]. Eu acho que deve vir à tona a questão. Se está havendo desvio de verbas, por exemplo, vamos esclarecer isso?.

continua após a publicidade

O presidente da Associação de Familiares e Amigos das Vítimas do Vôo 1907, Jorge André Cavalcante, concorda com a iniciativa, mas disse que o assunto extrapola a atuação da entidade que preside. ?Tenho muito respeito pelo trabalho da Abrapavaa, mas nossa associação não vai participar disso porque não temos o mesmo cunho político. Nossa luta é pontual, e tão logo nossos problemas estejam resolvidos, vamos dissolver nossa associação?, disse.

Cavalcante no entanto afirmou que, pessoalmente, é favorável à criação da CPI. ?Consideramos importante todo trabalho que vise preservar a segurança dos vôos. Em relação à CPI, considero importante que o governo permita que se investigue o setor a fim de sabermos se há irregularidades?.