A comissão criada pela Ordem dos Advogados do Brasil, seção Paraná, (OAB-PR) passou o dia de ontem avaliando o atendimento dado aos adolescentes no Educandário São Francisco, em Piraquara. Segundo Márcia Caldas Vellozo Machado, a visita evidenciou que existe uma série de problemas no local. No entanto, afirma que mais detalhes sobre a unidade só poderão ser conhecidos depois que a comissão se reunir na segunda-feira para trocar informações. Eles se dividiram em cinco equipes e cada uma ficou responsável pela avaliação de um setor diferente.

Para Márcia, a visita foi muito proveitosa. A comissão formada por 12 integrantes pôde contar com a colaboração de todos os funcionários. Ela comenta que foram encontrados alguns pontos positivos, mas por outro lado foi detectada uma série de problemas. Sem se aprofundar muito, comentou que um dos motivos da rebelião que resultou na morte de sete adolescentes no mês passado foi o tratamento dispensado pelos educadores aos internos.

Cada equipe da comissão ficou responsável por entrevistar um grupo diferente: dos 237 jovens foram ouvidos 36. “Acreditamos que esse é um bom número para sabermos a realidade do trabalho realizado”, avalia a advogada. As outras equipes ouviram os educadores, corpo técnico, corpo médico, instrutores e professores. Na segunda-feira, os integrantes se reúnem para traçar o perfil da unidade.

Próximas

No dia seguinte eles visitam a segunda unidade, que fica em Fazenda Rio Grande, com cerca de 20 jovens, e na quinta, a unidade Ana Richa, em Curitiba, onde estão cerca de 20 meninas. As próximas unidades são as de Foz do Iguaçu e Londrina, a qual a Justiça determinou a intervenção. Dentro de 15 dias, a interventora Laura Sakai Okamura deve assumir a direção da unidade. A decisão foi do juiz da Vara da Infância e da Juventude, Ademir Ribeiro Richer, atendendo a um pedido do Ministério Público.

Ao todo serão visitadas oito unidades, quatro de internamento e as demais de internamento temporário. Junto com a OAB-PR, fazem parte da comissão instituições como o Conselho Nacional dos Diretos da Criança e Adolescente, Ministério Público do Paraná e Universidade Católica do Paraná. O governo do Estado, que pretendia fazer um trabalho similar, incorporou o projeto e está apoiando a iniciativa.