Muitos professores e funcionários que trabalham em instituições próximas a favelas em Curitiba dizem viver em tensão. O relato de colegas que já sofreram algum tipo de violência, como roubos e assaltos, nas proximidades ou a caminho do trabalho, ou o fato de já terem sido vítima de alguma ocorrência, faz com que mudem a postura e até o trajeto.

O professor de Educação Física da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC) Sérgio Dal-Ri confessa que sente medo quando pensa que precisa passar por determinadas regiões para chegar até a universidade. “Quando vou chegando na Avenida das Torres, isso vai gerando uma certa tensão. Diminuo a velocidade para não ficar parado no sinaleiro”, conta. O professor já ouviu diversos relatos de colegas e alunos que foram abordados nessa região.

A chefe do Núcleo de Estatísticas da PUC Maria Del Carmem Korman se diz apavorada com a situação, pois já foi assaltada cinco vezes. Todas as ocorrências aconteceram na região onde mora, no bairro Boa Vista. Mas garante que depois disso, passou a se sentir insegura em todos os lugares, inclusive no trabalho. “A gente fica paranóica com essa situação”, falou. Segundo ela, o perigo de ser vítima de um assalto ou seqüestro está em todos os lugares de Curitiba. “É um desrespeito o que o governo faz com a população, dizendo que aumentou o número de policiais. Só se colocou eles dentro dos quartéis, pois nas ruas eles não estão”, falou.

Há cerca de um mês, a professora da Escola Atuação Tatiane Reimann teve o carro levado em um assalto no centro da cidade. Dentro do veículo estavam as provas dos alunos e todo o material da escola. Ela também já foi abordada na Avenida das Torres, a caminho da escola, quando um marginal quebrou o vidro do carro para tentar levar sua bolsa. Diante dessas situações, ela procura mudar constantemente o percurso para ir ao trabalho, além de evitar ficar parada no sinaleiro.

Parceria

A diretora da escola Atuação Ester Cristina Correia relata que muitos professores e funcionários já foram vítimas de roubo nas imediações da unidade do bairro Boqueirão. “Eles roubam as calotas e aparelhos de CDs dos carros, picham os muros e até já entraram na escola”, conta. Já na unidade do Santa Quitéria, esse tipo de problema nunca foi registrado. Nesse bairro, a instituição desenvolve um programa de alfabetização para adultos, incluiu crianças da comunidade no coral da escola e repassa cesta básica para algumas famílias carentes. “Nós interagimos com a comunidade e por isso ela se tornou nossa parceira”, falou.