Grande parte dos caminhoneiros brasileiros leva uma vida bastante desregrada: não se alimenta direito, não dorme tempo suficiente, muitas vezes passando grande parte da noite acordados, e não pratica atividades físicas, permanecendo a maior parte do tempo sentados ao volante.

As informações são resultado de uma pesquisa realizada com 215 caminhoneiros, durante todo o ano de 2002, pela médica especialista em medicina de tráfego, Ana Maria Kerr Saraiva, de Cascavel, na região Oeste do Estado. A pesquisa foi feita com a aplicação de questionários contendo perguntas sobre saúde a caminhoneiros em atividade nas estradas brasileiras.

Segundo Ana Maria, esse estilo de vida pode levar a problemas de saúde, como hipertensão, índices altos de colesterol, infarto e apnéia obstrutiva do sono – um distúrbio gerado pela obesidade, na qual são percebidas paradas respiratórias durante o sono, decorrentes da obstrução das vias aéreas superiores.

“Todos esses problemas podem provocar acidentes de trânsito”, diz Ana Maria. “Os caminhoneiros trabalham sob muita pressão, sendo obrigados a cumprir prazos de entrega de mercadorias. Algumas das firmas que os contratam chegam até a oferecer bonificações no salário e privilégios para os funcionários que entregarem a carga mais rápido.”

Rebites

As pressões impostas também fazem com que muitos caminhoneiros apelem para o uso dos chamados “rebites”, uma série de medicamentos capazes de mantê-los acordados por um determinado período de tempo. Assim, eles não sentem que estão cansados e sonolentos, acreditando que são capazes de continuar dirigindo sem precisar parar para dormir.

“Os rebites podem gerar alterações nos reflexos, cefaléia, tontura, confusões ou depressões mentais, náuseas, episódios psicóticos, visão turva e diarréia”, afirma a médica. “Tudo isto também pode levar à ocorrência de acidentes, pois muitas vezes a pessoa não está em condições de continuar dirigindo.”