Foto: LC Pina/Tribuna do Vale

Agricultores percorreram as ruas do centro da cidade.

Integrantes da Via Campesina marcharam ontem, do trevo da BR-153, próximo a Santo Antônio da Platina, até o centro de Jacarezinho, no Norte Pioneiro. O ato, durante toda a tarde, seria um fechamento da Campanha de Combate aos Crimes do Agronegócio e da Bancada Ruralista, que começou com o acampamento em frente à fazenda Santa Rita, do deputado federal Abelardo Lupion (PFL-PR). O deputado diz estar aliviado com a saída dos manifestantes.

Além da Via Campesina, participaram da mobilização representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e da igreja católica da região. Segundo Cristóvão Filzi, membro da Via Campesina, as pessoas que estavam acampadas partiram da fazenda do deputado às 13h30 e, ao longo do caminho, até a catedral de Jacarezinho, outros trabalhadores rurais de toda a região se juntaram à marcha. Já na igreja, um ato ecumênico encerrou as atividades, por volta das 16h30. ?A caminhada foi pacífica e tranqüila. O nosso intuito é mostrar para toda a sociedade as atrocidades que cometem nosso parlamentares?, explica Filzi. Após a manifestação, eles decidiram não voltar à fazenda Santa Rita, onde estavam acampados desde o último dia 18. ?Nossa missão aqui foi cumprida, mas é claro que vamos continuar denunciando corruptos?, afirma.

De acordo com a Via Campesina, entre os principais objetivos da marcha está pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) que agilize ?o julgamento do processo referente à campanha eleitoral de 1998 do deputado Lupion?. O que, segundo eles, implicaria ?na perda do mandato e dos direitos políticos de oito a dez anos e na reclusão por cinco anos, além do pagamento de multa de até três vezes o valor do acréscimo patrimonial?.

Após o ?terror? que afirmou ter passado, o deputado Lupion disse que terá que se apressar e fazer campanha em dois dias, o que não pôde executar durante os doze dias em que ficou na fazenda. ?Essa fazenda é meu sonho de vida, minha casa, minha família, meu gado. Você sentir que tudo isso esteve ameaçado por questões políticas é um terror. Agora vou continuar fazendo o que sempre fiz. O meu setor (agrário) me apóia e isso é o que importa?, desabafa o candidato à reeleição.

Os manifestantes afirmam que a Campanha de Combate aos Crimes do Agronegócio e da Bancada Ruralista, lançada oficialmente no último dia 21, continua com manifestações em todo o País.