Foto: Walter Alves/O Estado

Membros da Via Campesina se manifestaram contra delegações.

No último dia de trabalhos na 8.ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP8), a Via Campesina voltou a realizar um protesto em frente ao ExpoTrade Pinhais, onde acontecia a reunião. Como último ato, os manifestantes fizeram novamente um corredor na entrada de veículos no centro de convenções. As delegações e participantes do evento foram vaiados. O trânsito ficou lento na região e algumas pessoas tiveram dificuldades em entrar no estacionamento do local. Segundo a organização, cinco mil pessoas estavam no protesto.

O objetivo era fazer um alerta final para a preocupação na preservação da biodiversidade, de acordo com Roberto Baggio, um dos coordenadores estaduais do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e integrante da Via Campesina. ?A biodiversidade é um bem comunitário, popular, que não pode ser transformado em mercadoria. A preservação é uma necessidade humana?, avaliou.

Ontem, os integrantes da Via Campesina também deixaram o acampamento formado no Parque Newton Freire-Maia. O movimento fez atos contra os transgênicos e suas conseqüências desde o início da 3.ª Reunião das Partes do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança (MOP3), no começo de março. ?Pela primeira vez a Via Campesina conseguiu organizar uma grande resistência. Conseguimos pequenas conquistas, como a rotulagem e a proibição das sementes terminator. Houve uma grande pressão popular. Somaram-se forças de todos os setores da sociedade, que se constituiu uma força política e popular a favor da biodiversidade?, opinou. Para ele, o movimento, os setores populares e os governos federal e estadual saíram vitoriosos nos eventos da Organização das Nações Unidas (ONU) em Curitiba.