Foto: Fábio Alexandre/O Estado
Filhas guardam recortes.

?Bisturi de ouro.? Assim era conhecido pela imprensa brasileira o cirurgião curitibano Mário Braga de Abreu, cujo centenário será homenageado na próxima terça-feira. As características que sempre carregou, como pessoa – em 75 anos de vida – e profissional – em 52 de medicina -, o fazem ser lembrado e homenageado hoje, 25 anos após sua morte.

Nascido em 25 de abril de 1906, filho de Manoel Martins de Abreu e de Maria Joana Braga de Abreu, Mário Braga de Abreu graduou-se pela Faculdade Nacional de Medicina no Rio de Janeiro, em 1929, e, logo em seguida retornou para Curitiba para aplicar todo o conhecimento prático e teórico. Na capital paranaense, atuou na Santa Casa de Misericórdia onde, em 1935, aos 29 anos, já era chefe do Serviço de Cirurgia Geral e, em 1962, foi diretor-clínico. Em 1935, o médico iniciou a carreira catedrática na Faculdade de Medicina do Paraná.

Desde a faculdade, foram 52 anos de trabalho intenso e constante atualização, no País e no exterior. Além de total dedicação ao Paraná, Mário Braga de Abreu era conhecido e reconhecido nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Bahia, Minas Gerais, e em diversos países como Uruguai, Argentina, Alemanha, México e Itália. No Brasil, em 1964, foi terceiro médico a receber uma das mais importantes condecorações nacionais, pela Sociedade Brasileira de Medicina: a medalha de São Lucas.

?Ele sempre preocupou-se em trazer para Curitiba o que havia de moderno na medicina, em congressos que participava e em revistas internacionais que assinava, mesmo com toda a dificuldade da época. Sempre preocupou-se com sua formação para trazer novidades para que a cidade e os médicos a seu redor evoluíssem?, conta a filha Maria Cristina de Abreu Bonardi. ?Sempre fomos uma família muito unida e feliz. Nossas lembranças são as melhores possíveis. Apesar de uma vida profissional muito intensa, ele sempre foi um pai presente e a família lhe era muito importante?, lembra a filha Maria Cecília de Abreu.

Homenagem

A partir de amanhã, muitas serão as homenagens prestadas ao médico. A família se diz surpresa pois, mesmo passados 25 anos de sua morte, a idéia de uma homenagem ao centenário partiu de amigos e conhecidos. ?Isso nos faz ter certeza que realmente ele foi alguém que marcou muito?, diz Maria Cristina.

?Ele foi uma pessoa muito marcante para Curitiba e hoje seria uma oportunidade das pessoas homenageá-lo, e relembrarem dos feitos e de toda a sua atuação que era grande em Curitiba, no Paraná, em todo o País e fora?, comenta a filha Maria Isabel de Abreu Nery, mostrando os recortes e várias páginas de jornais que mostram um pouco da atividade do cirurgião.

Segunda-feira, às 10h30, a primeira homenagem será da Universidade Federal do Paraná, no hall do Hospital de Clínicas. Às 14h30, a comemoração continua no plenário da Assembléia Legislativa. Na terça-feira, a data será marcada por uma exposição documental organizada por Carlos Ravazzani, no térreo da Biblioteca Pública do Paraná. Às 18h, na paróquia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), haverá uma missa em ação de graças e, às 19h, a homenagem ao ?pioneiro do curso de medicina? continua com um coquetel, na sala Aleijadinho, no térreo do prédio da Administração da PUC.