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Paraná

Bolso inteligente

Usar cartão sem controle é certeza de problemas

Entre os paranaenses, o “dinheiro de plástico” é o principal tipo de dívidas

  • Por Magaléa Mazziotti

Quase 80% dos brasileiros acima de 18 anos possuem algum cartão eletrônico (débito, crédito ou de loja), mas sua popularidade nem sempre vem acompanhada de preparo no momento de utilizá-lo e o risco de se complicar com a opção de crédito é tão comum quanto o próprio produto. Entre os paranaenses, o “dinheiro de plástico” é o principal tipo de dívida, citado por 67,8% das 510 mil pessoas com renda comprometida por algum parcelamento. Destes, 9,1% reconhecem não reunir condições para pagar suas dívidas. Transformar o cartão de crédito em vilão ou mocinho da sua história depende de algumas estratégias que servem de divisor de águas ente os candidatos a integrar as listas de inadimplência e quem usa como recurso até de controle dos gastos pessoais.

A primeira lição que vem de usuários e especialistas é seguir questionando a necessidade de tal gasto. “O primeiro mês de cartão dá a impressão que você aumentou a renda, pois gasta e não paga, mas a conta virá, nem que seja em 40 dias depois”, alerta o presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças no Paraná (Ibef-PR), Clecio Chiamulera. Tão importante quanto se manter longe das tentações é se organizar para pagar no vencimento o valor integral. “Os juros no cartão de crédito são absurdos, quem paga o mínimo começa a se complicar”.

Dívidas

Foi o que aconteceu com a estudante K. S. A. N. “Descobri da pior maneira possível que a satisfação de ver o cartão passar e levar a aproveitar a promoção em pouco tempo vira dívida”, testemunha. O desdobramento da história entre K. e o cartão terminou com a eliminação do produto. “Quando chegou o momento de comprar algo importante, o nosso apartamento, eu e meu marido quase perdemos o financiamento do imóvel por conta da restrição em meu nome”, recorda. Ela procurou o banco, renegociou a dívida e decidiu “nunca mais” ter cartão de crédito. “Paguei várias vezes o valor do que devia e foi um desgaste que não quero para a minha vida, até porque meu marido já disse que é o cartão ou o casamento”, comenta. A mãe de K. diz que nunca quis cartão por conta do risco. “Eu e meu marido recebemos ligações diárias de operadoras, mas não aceitamos. Compramos tudo à vista”.

Limites

Conhecer os próprios limites é altamente recomendável, mas de acordo com os especialistas, o cartão pode garantir vantagens se bem controlado. “Tem muita gente que prefere ter apenas um cartão para evitar confusão. Eu indico dois, porque assim o consumidor ganha os 40 dias de prazo e divide os pagamentos em dois períodos do mês que coincidam com a data do salário e do adiantamento”, orienta Chiamulera, reforçando que os gastos devem ser inferiores aos ganhos acumulados ao longo do mês. O empresário Ronan Andrade Santiago diz preferir ficar com um cartão. “Foi o caminho que encontrei para não ter problemas. Aliás, para evitar sufoco, costumo pagar antes da fatura uma parte do que gastei ao longo do período”, revela.

Inadimplentes devem renegociar

Ivonaldo Alexandre
Suzane: viagem com benefícios.

Para quem já está inadimplente, a orientação é começar a renegociar o débito o quanto antes. “No caso do cartão de crédito, pagar o mínimo é a pior das opções. Se o consumidor já chegou ao limite da sua condição de pagamento, o melhor é recurso é buscar um parcelamento para evitar todos os problemas de estar em uma lista de inadimplência”, aponta a coordenadora do setor de pesquisas da Fe,deração do Comércio do Paraná (Fecomércio), Priscila Andrade Takata. “Ficar pagando o mínimo é insustentável. Acaba acelerando uma situação de descontrole, já que a dívida nunca termina e a pessoa chega a um ponto que deixa de pagar”.

Quanto aos juros, explica que no momento de contratar o cartão o consumidor está ciente disso. “Os bancos são pouco flexíveis porque fazem parte das regras contratuais”, afirma. No Brasil, depois de esgotadas as tentativas de receberem os pagamentos, muitas instituições financeiras comercializam as chamadas “carteiras podres” dos inadimplentes. A partir daí, propostas de superdescontos nos débitos começam a ser ofertadas aos clientes.

Bancos também oferecem cartões pré-pago, mas a modalidade não encontra apoio entre os especialistas. “Você deixa de receber os juros do rendimento de qualquer aplicação para pagar por algo que ainda não consumiu”, observa Chiamulera. Para ele, o pré-pago é válido para quem viaja ao exterior, a fim de evitar o IOF, ou para fins corporativos.

Benefícios não são usados

Números da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) mostram que metade dos pontos dos programas de recompensa de cartões não são resgatados dentro dos prazos pelos consumidores. Mais uma vez, o planejamento é o segredo para que o consumidor se beneficie das vantagens oferecidas pelo produto contratado. O presidente do Ibef, Clécio Chiamulera, defende que as pessoas se programem para evitar desgastes. “Quem quer converter em milhas, não pode deixar para fazer isso em cima da hora. O recomendável são dois meses para viagens no Brasil e cinco para o exterior, do contrário pode se frustrar”, explica.

A lição é levada ao pé da letra pela família da administradora Suzane Rodrigues Teixeira. “Eu e meu marido fomos para os Estados Unidos este ano só com as milhagens obtidas com os pontos do cartão”, informa. Ela reconhece que nem sempre as companhias disponibilizam as melhores conexões para quem está comprando as passagens com as milhas, mas o esforço vale a pena.

E essa disposição para negociar os pontos do programa de recompensa também deve ser mantida no momento de tratar a anuidade. “Em 90% dos casos, se o cliente barganha a redução da anuidade, ele consegue. O problema é que tem pessoas que pagam sem reclamar”, aponta Chiamulera. “E se o diálogo não for suficiente, ameace cancelar o cartão. Sempre funciona”.

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