Sem definição desde o final de fevereiro, o valor da nova tarifa técnica do sistema de transporte coletivo – que é paga às empresas que operam a frota – ainda é motivo de impasse e falta de transparência. Urbs e empresas de ônibus não comentam o assunto, nem explicam de que forma a recente desintegração financeira da rede metropolitana pode afetar as negociações e, consequentemente, os usuários.

O assunto motivou um pedido de informações que partiu da Câmara Municipal à Prefeitura de Curitiba. O vereador Tico Kuzma (PROS) questionou o município sobre o impacto da desintegração nas finanças do sistema de transporte e sobre o número de passageiros. Ele recebeu como resposta a informação genérica de que “houve, naturalmente, redução de receita e de despesa, uma vez que o pagante metropolitano (receita) e o custo metropolitano (despesa) não são mais computados pela Urbs, restando ao sistema de Curitiba suas próprias receitas e despesas”.

Sobre a definição da tarifa técnica, a Urbs e o Sindicato das Empresas de ânibus de Curitiba e Região Metropolitana (Setransp) comentam apenas que “estão em negociação” e não dão detalhes sobre possíveis mudanças. “Queremos saber quanto custa realmente a tarifa técnica e a resposta ainda não veio”, diz Kuzma. Os vereadores pretendem chamar o presidente da Urbs, Roberto Gregório, para uma conversa na Câmara. “Queremos saber se o usuário está tendo seu direito garantido, de pagar uma tarifa justa pelo transporte”, reforça o vereador.

Crise complica negociação

O impasse com o valor da tarifa coincide com a dificuldade financeira enfrentada pelas empresas, que há tempos alegam que a conta não fecha. De acordo com o presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Curitiba (Sindimoc), Anderson Teixeira, a situação se arrasta desde 2012.

“O problema financeiro vem desde que houve o novo modelo de administração, com o novo sistema de consórcio. É constante a alegação de que falta dinheiro para as empresas”, avalia. Teixeira ainda afirma que o atraso no pagamento dos salários acontece todos os meses. “Uma empresa ou outra atrasa o pagamento”.