Arquivo / O Estado
Arquivo / O Estado

Para não danificar seus carros,
motoristas fogem dos buracos.

O governo federal, através da Casa Civil, comprometeu-se ontem em tentar liberar recursos para a recuperação da BR-476, no Paraná, em caráter emergencial. A promessa foi feita em uma reunião em Brasília, da qual participaram representantes do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT), o assessor especial da Casa Civil, André Barbosa, o prefeito de União da Vitória, Hussein Bakri, de São Mateus do Sul, Francisco Ulbrich, o deputado estadual Natálio Stica e o deputado federal Airton Roveda.

De acordo com Stica, o governo pediu prazo de uma semana a dez dias para dar uma resposta. "Eles se mostraram mais preocupados com a questão jurídica do que política da questão", disse o parlamentar. Durante o encontro, Barbosa afirmou que, para o governo federal, mesmo que o dinheiro para reparos urgentes saia, o imbróglio irá continuar, pois entende que a rodovia é de responsabilidade do governo do Paraná, que no fim de agosto interditou um trecho do rodovia devido à má conservação da via.

O impasse começou depois que o presidente Lula, em 2003, vetou a Medida Provisória 82, que transferia 945 quilômetros de estradas federais para o Estado. Desde então esses trechos não recebem manutenção. O prefeito de São Mateus vê com ressalvas a promessa do governo. "Já estivemos em outras reuniões onde foram prometidas medidas para acabar com o problema", afirma. Ulbrich diz que a cidade – que acabou de fazer obras na ponte que dá acesso à cidade com dinheiro doado e da prefeitura, e que estava interditada – está sendo penalizada. "Se não houver uma decisão favorável, iremos fazer outro mutirão, desta vez para tapar buracos", avisa.

O prefeito de União da Vitória não concorda em investir dinheiro da cidade na rodovia. "Aí mesmo que o governo não vai mais resolver o problema", opina. Na semana passada o Ministério Público Federal recomendou ao DNIT a interdição da ponte Manoel Ribas, na cidade, que corre risco de desabar. "Vamos esperar a posição da Casa Civil. Se nada acontecer, vamos fechar a rodovia", avisa Bakri.

Tentativa política

Na manhã de ontem, antes mesmo da reunião em Brasília, o governador Roberto Requião, em entrevista a uma rádio de Curitiba, afirmou que não irá investir na ponte, também conhecida como "dos Arcos". Para o governador, a rodovia pertence ao governo federal. Stica explicou que os participantes da reunião irão aproveitar a vinda do presidente Lula na próxima quarta-feira (21), que estará no Estado para, ironicamente, inaugurar um trecho novo da BR-476, e fazer pressão. "A idéia é aproveitar o palanque para que o governador e o presidente se comprometam com a restauração", diz.

O deputado disse que a comitiva paranaense esteve ainda no gabinete de Lula, onde foi recebida pelo assessor Gilberto Carvalho. "O assessor disse que o presidente não sabe da situação, se não nem viria para cá inaugurar esse trecho. Acredito que ele não iria querer se queimar por causa de um montante tão pouco elevado. Com pouco mais de R$ 2 milhões o problema seria resolvido."