Mobilizar a comunidade para realizar, por conta própria e independente do poder público, ações para melhorar a vida no bairro. Esse é o desafio encarado por um grupo de moradores do São Braz, que se uniram para criar uma Rede de Desenvolvimento Local coordenada pelo Serviço Social da Indústria do Paraná (Sesi-PR).

A iniciativa, lançada em abril, por enquanto funciona como um projeto piloto, no Colégio Estadual Padre Silvestre Kandora. “A primeira etapa é angariar recursos para projetos de educação e cultura. A partir da ideia de um morador, iniciamos a coleta e venda de material reciclável no mês passado e já conseguimos arrecadar R$ 280”, conta o diretor da escola, Cícero Donadeli, que mora no bairro e participa da rede.

Por enquanto, a coleta de latinhas, garrafas pet e papelão está sendo feita pelos alunos da escola, com ajuda dos pais e funcionários. “Decidimos começar pelas crianças, porque é uma forma de plantar uma sementinha para que eles aprendam que, através da reciclagem e sem depender de assistencialismo, podem conseguir boas coisas para o bairro e também para o planeta”, diz a agente de desenvolvimento Flávia Martins.

Ela estuda psicologia e, desde o início do ano, faz estágio no Sesi, onde conheceu as redes de desenvolvimento. “Na semana passada, fizemos uma reunião aqui na escola para discutir os problemas da comunidade. Vamos nos encontrar de novo no dia 6, já para definir as primeiras ações. Cada pessoa que participou se comprometeu a trazer mais gente da próxima vez”, explica.

O curso de capoeira para alunos e funcionários da escola, que foi mostrado pelos Caçadores de Notícias em novembro, é um dos projetos que serão financiados pelos recursos captados pela rede. Sucesso entre as crianças, a iniciativa perdeu o patrocínio de uma rede de lojas e agora será bancada pela própria comunidade.

Ideia é montar cooperativa

Num primeiro momento, os materiais recicláveis coletados são recolhidos, separados e armazenados na própria escola. “Mas já estamos buscando um espaço maior. O objetivo é ter um barracão só para isso e montar uma cooperativa”, afirma Cícero.

O reaproveitamento do lixo também faz a escola economizar recursos com a merenda escolar. Além dos recicláveis, o lixo orgânico também é separado e vira adubo para uma horta, com cultivo de alface, tomate, acelga, quiabo, milho, salsinha, beterraba… “No final, é pouca coisa que vai realmente para o lixo. Com essa horta, a escola já é autossuficiente em hortaliças”, diz Sidnei Borges, funcionário do colégio.

A próxima meta é fazer com que o projeto saia da escola para as ruas do bairro, com participação de toda a comunidade. “Queremos encontrar soluções para os principais problemas da região. Inclusive o tráfico e uso de drogas, que acontecem nas redondezas”, projeta Flávia.

Felipe Rosa
Flávia: semente plantada nas crianças para não depender de assistencialismo.
Felipe Rosa
dnei: com essa horta, a escola já é autossuficiente em hortaliças.