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Tunas do Paraná, no Vale do Ribeira, está numa região com um dos mais baixos IDHs do Estado.

O Paraná vive o que pode se chamar de dois lados de uma mesma moeda. Com uma economia forte e consolidada, com forte presença no setor de veículos, peças, componentes e na agricultura, o Paraná é considerado exemplo para outros estados.

Entretanto, segundo um estudo realizado pela equipe do professor Belmiro Castor, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e presidente do Movimento Pró-Paraná, em algumas regiões, o Paraná apresenta os indicadores das Organizações das Nações Unidas (ONU) para o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) compatíveis a de cidades do norte e nordeste do Brasil.

O professor diz que ?o Paraná tem 68% de sua população vivendo abaixo do IDH, enquanto que em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, esse percentual chega a 30%. Temos muitos municípios pequenos que são incapazes de sustentar sua população e isso inevitavelmente acaba gerando pobreza?.

Ele revela ainda que, por causa disso, o Paraná possui o pior IDH dos três estados que compõem a região sul.

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Já Curitiba é uma das melhores cidades do País para se viver. Paraná tem 68% de sua população vivendo abaixo do IDH, enquanto que em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, esse percentual chega a 30%.

De acordo com um estudo levantado pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), o Vale da Ribeira (formada por nove cidades) e a região central do Estado (composto por 16 municípios) apresentam os menores IDHs.

Uma das razões para essa condição nada favorável é, segundo o levantamento, que esses locais possuem, respectivamente, 38% e 36,5% de sua população em situação de pobreza. Indicador bem acima da média paranaense, que é de 20,9%.

Além disso, a análise revela que todos os municípios do Vale da Ribeira e do centro paranaense possuem altos índices de extrema miséria e figuram entre as últimas colocações do ranking do IDH no Estado.

O professor informa que não há exatamente uma solução pronta para reverter o quadro caótico dessas cidades. Contudo, ele diz que existem alternativas que podem melhorar a geração de emprego e renda que podem ser utilizadas não só por essas regiões como também para o restante do estado.

?O que pode ser feito para melhorar essa situação é investir no empreendedorismo e na indústria local.

Além disso, seria possível apostar na diversificação de atividades econômicas locais e também identificar novas áreas no conjunto da economia regional. Acredito que agindo assim seja possível agregar valores aos ativos locais.?

Curitiba entre as melhores

Foto: Chuniti Kawamura
Belmiro Castor: alternativas.

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) verifica o grau de desenvolvimento de um país, estado e cidade. Para fazer esse cálculo, ele utiliza três critérios: educação, longevidade e renda. Para avaliar a educação, é levada em conta a alfabetização da população e a taxa de matrícula. Na longevidade, avalia-se a expectativa de vida ao nascer e a renda analisa o Produto Interno Bruto (PIB) per capita.

O índice vai de zero a um.

Zero indica nenhum desenvolvimento humano e um significa desenvolvimento humano total. IDH até 0,499 significa que o lugar tem desenvolvimento humano baixo.

De 0,500 até 0,799 é considerado crescimento médio e superior a 0,800 o IDH avaliado como alto.

De acordo com os dados do último levantamento do IDH no Brasil, realizado em 2000, o Paraná aparece em sexto lugar, atrás do Distrito Federal, Santa Catarina, São Paulo, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Os seis últimos colocados são Bahia, Sergipe, Paraíba, Piauí, Alagoas e Maranhão, todos eles do nordeste.

Curitiba e Quatro Pontes são as cidades paranaense com os melhores IDHs. Curitiba, dentre as capitais brasileiras, é a terceira colocada, perdendo para Florianópolis e Porto Alegre. Entre as regiões metropolitanas, a Região Metropolitana de Curitiba aparece em décimo lugar no geral e quarta entre as capitais. De todos os municípios brasileiros, a capital paranaense é a 16.ª colocada. São Caetano do Sul é a cidade com os melhores indicadores do Brasil. (FL)