Educação

Um ano sem celular: escolas do Paraná relatam alunos mais concentrados e sociáveis

Professores e diretores afirmam que restrição melhorou a convivência e reduziu o bullying virtual; lei completou um ano em janeiro
Professores e diretores afirmam que restrição melhorou a convivência e reduziu o bullying virtual; lei completou um ano em janeiro


O início de 2026 marca o primeiro aniversário da lei estadual que restringiu o uso de celulares e aparelhos eletrônicos nas escolas do Paraná. Após 12 meses de vigência da Lei nº 15.100/2025, o silêncio dos estudantes hipnotizados pelas telas deu lugar ao barulho de conversas e brincadeiras nos intervalos.

A regra vale para escolas públicas e particulares, abrangendo toda a educação básica. O uso só é permitido em três situações: para atividades pedagógicas autorizadas, por questões de saúde ou para acessibilidade. Embora o governo estadual ainda não tenha divulgado estatísticas oficiais, o impacto no dia a dia é visível para quem está no chão da escola.

Menos telas, mais atenção

Uma pesquisa da Frente Parlamentar Mista da Educação aponta que 83% dos alunos sentiram melhora na concentração. Esse foco é ainda maior entre os alunos mais novos (88%). No Ensino Médio, onde a dependência digital costuma ser mais forte, 70% relataram estar mais atentos às aulas.

Outro benefício foi a queda na violência digital. Segundo o levantamento, 77% dos diretores e 65% dos professores notaram uma redução nos casos de cyberbullying (prática de intimidar ou humilhar pessoas no ambiente virtual).

O cenário nas escolas paranaenses

No Colégio Professor Guido Straube, em Curitiba, a diretora Juliana Pegoraro Martins descreve uma “readequação profunda”. Segundo ela, a resistência inicial foi substituída por ganhos pedagógicos. “Voltamos a ouvir o barulho do recreio. Houve uma redução drástica em conflitos gerados por redes sociais, como fotos não autorizadas e ofensas em grupos de turma”, afirma.

Para Juliana, a medida também devolveu ao professor o papel central na sala de aula. “A disputa pela atenção do aluno diminuiu. Eles conseguem manter o foco por mais tempo e a ansiedade baixou”, pontua.

O Colégio Estadual do Paraná (CEP) compartilha da mesma percepção. Em nota, a instituição — que atende mais de 6 mil alunos — destacou que grupos de estudo ficaram mais produtivos e que práticas antigas ressurgiram, como o uso de livros físicos e jogos coletivos.

O desafio da educação digital

Apesar dos avanços, a restrição traz novos desafios. A professora Diene Eire de Mello, doutora em Educação pela UEL, lembra que a escola não pode apenas proibir; precisa educar. Ela aponta que, a partir deste ano, as escolas devem seguir a BNCC Computação (norma nacional que define o que deve ser ensinado sobre tecnologia), que exige o ensino de cultura e ética digital.

“Mediação é sempre mais eficaz do que proibição”, explica Diene. Para a especialista, a lei protege crianças do uso excessivo, mas o próximo passo é transformar os estudantes em parceiros no uso consciente da tecnologia, unindo a segurança da restrição com o aprendizado necessário para o mundo digital.

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