Terminaram as discussões sobre a implantação do sistema de cotas na Universidade Federal do Paraná. A assinatura da resolução que determina as mudanças já para o próximo vestibular será hoje. Ontem, o Conselho Universitário discutiu a questão de reserva de vagas para índios. Ficou decidido que vão ser criadas vagas de forma gradativa para estudantes índios. Eles ingressam na universidade sem concurso, apenas por indicação da Fundação Nacional do Índio (Funai) e chefes das tribos.

No vestibular de 2005 e de 2006 vão ser criadas cinco vagas para a população indígena em qualquer curso. Em 2007 e 2008 sobe para sete o número de cadeiras e, a partir de 2009, serão dez. Segundo o reitor Carlos Augusto Moreira Júnior, o número foi estipulado de acordo com a demanda apresentada pela Funai. Mas a quantidade de vagas pode ser reavaliada.

Ontem pela manhã, os conselheiros também definiram como vai ocorrer o preenchimento das vagas dentro do sistema de cotas. A questão gerou muita polêmica, pois os conselheiros tinham várias dúvidas. Entre elas, se um aluno negro conseguisse a vaga por mérito próprio sem se beneficiar do sistema de cotas, a vaga a que ele teria direito no sistema deveria ser repassada para outro cotista. Outra dúvida que pairava era em relação aos cursos onde mais de 50% dos alunos já são de escolas públicas.

O reitor explica que vão ser preenchidas primeiramente as vagas destinadas às cotas e depois as por mérito. Num curso com 100 cadeiras, por exemplo, 20 vagas seriam para estudantes negros e outras 20 para alunos de escolas públicas. Se houvesse apenas 15 estudantes negros, automaticamente as cinco vagas que sobrariam seriam destinadas aos outros estudantes que se classificaram por mérito. O mesmo processo ocorre com as vagas destinadas para alunos de escolas municipais e estaduais.

Segundo o reitor, algumas propostas queriam que o preenchimento fosse inverso. Primeiro as vagas por mérito e depois as cotas. Mas, nesse caso, corria-se o risco de esvaziar o movimento que reivindicava as mudanças. Moreira explica que muitos alunos poderiam conseguir a vaga por mérito e as cotas não seriam preenchidas. Outro problema seria o fato de o aluno não poder ser beneficiado pelas políticas de acompanhamento que a UFPR vai implantar para os cotistas. Para ser beneficiado pelo sistema, basta o aluno se autodeclarar negro ou comprovar que sempre estudou em escola pública.