São 11h55 da manhã na Escola Estadual Duílio Calderari, no bairro São Lourenço, em Curitiba. Pouco antes dos alunos saírem, um veículo Doblô de cor prata encosta na entrada principal da escola e, sem a menor cerimônia, se coloca ao lado de quatro grandes vans timbradas com identificação de transporte escolar. Ao toque do sinal, a motorista traz três crianças e as coloca dentro do carro pelas portas traseiras. Dali, o veículo segue para mais duas unidades escolares da região, as escolas municipais Júlia Amaral di Lenna e Tamira Regina Schimidt, onde apanha pelo menos mais cinco alunos. Todas as crianças têm entre 5 e 14 anos.

Nas duas últimas escolas do trajeto, nem a motorista e nem a ajudante saem do carro para realizar o embarque seguro das crianças. Em uma das paradas, dois alunos entram no carro pelas portas traseiras e mais duas estudantes embarcam pela porta lateral posicionada para o lado da rua.

A cena descrita acima foi flagrada pela reportagem após denúncia anônima. Segundo o apurado pelo Paraná Online, o veículo em questão não contém licença e nem autorização da URBS para realizar o transporte escolar. A reportagem entrou em contato com a motorista, que, sem saber que estava sendo entrevistada, assumiu que o carro é particular e que cobra R$ 130 pelo serviço.

“É uma situação que não oferece nenhuma segurança aos alunos e ainda por cima banaliza o trabalho de quem é regularizado. Atuam aqui na região há pelos quatro anos e nada é feito. E se pensar bem, é um abusrdo, pois o veículo regularizado cobra R$ 140 mensais por criança, então por R$10 tem pais que põem em risco a vida dos filhos”, diz um denunciante.

Ainda segundo um dos denunciantes, várias reclamações foram feitas junto à prefeitura em relação à situação do veículo, mas até agora nada foi feito. “Já tentamos de tudo, mas continuam agindo de maneira clandestina aqui na região e colocando a vida das crianças em risco”, alerta.

Problema antigo

De acordo com o Sindicato dos Operadores de Transporte Escolar de Curitiba (Sindotec), veículos de transporte escolar clandestinos atuam livremente em Curitiba. “Sofremos há mais de vinte anos com essa situação, que ocorre em toda a cidade de Curitiba. Tem gente que compra qualquer carro maior e sai levando criança pra cima e pra baixo da cidade”, explica Marcos de Bem, presidente do Sindotec.

Marcos explica que Curitiba sofre com veículos com licenças para atuar nas cidades da região metropolitana, mas que trabalham em Curitiba. “É muita coisa pra ser fiscalizada, mas entramos em contato com o Detran-PR e vamos centralizar denúncias através do sindicato para então repassá-las aos órgãos competentes”, conclui.

Legais no site da Urbs

Segundo a Secretaria Municipal de Trânsito, órgão responsável pela fiscalização do transporte escolar, os motoristas das vans licenciadas precisam fazer uma denúncia via telefone 156. De acordo com a pasta, a partir das denúncias é possível realizar ações pontuais de fiscalização e parceria com a Urbs e autuar os veículos clandestinos.

No momento de contratar o veículo, é preciso tomar algumas precauções em relação ao serviço prestado pelo transportador. Primeiramente, os pais podem acessar a lista de transportadores licenciados que está disponível na página na internet da Urbs (www.urbs.curitiba.pr.gov.br/transporte/escolar). Ainda no site é possível obter informações sobre o cadastro do veículo (Licença para Trafegar) e a habilitação do motorista (Certificado Cadastral do Condutor), bem como os prestadores de serviços mais pr&oacu,te;ximos da região de cada escola.