Uma mulher morreu após um grave episódio de intoxicação em uma piscina de academia em São Paulo, neste sábado (7/2). As autoridades policiais investigam se houve falha na manutenção da água ou negligência por parte do estabelecimento no controle dos produtos químicos utilizados no local.
Segundo dados da Associação Brasileira de Medicina de Emergência (ABRAMEDE), divulgados em setembro de 2025, São Paulo lidera o número de atendimentos por intoxicação acidental no país, com 10.161 casos registrados entre 2015 e 2024 no Sistema Único de Saúde (SUS).
No mesmo período, foram contabilizados 45.511 atendimentos em prontos-socorros em todo o Brasil relacionados a envenenamentos que evoluíram para internação, em alguns casos com desfecho fatal. A Região Sul aparece logo atrás do Sudeste. O Paraná lidera o número de ocorrências de intoxicação acidental no Sul do país nos últimos dez anos.
Nesse período, o estado registrou 3.764 atendimentos por intoxicação acidental. Apenas em 2024, foram 526 casos, o maior número da série histórica. Os dados indicam que aproximadamente, a cada três casos de intoxicação acidental registrados na Região Sul, um ocorreu no Paraná.
Já nos casos de intoxicação proposital, provocada por terceiros, a Região Sul ocupa a segunda posição no ranking nacional, com 551 ocorrências. O Paraná também lidera esse indicador regional, com 289 casos, o que representa 52,45% do total da região.
Exposição ao risco
No Brasil, duas das causas mais comuns de intoxicação estão relacionadas a produtos químicos não especificados (6.556 registros) e a substâncias químicas nocivas não especificadas (5.104). Os riscos não se limitam a ambientes industriais ou academias, mas também fazem parte da rotina doméstica.
A mistura de produtos como cloro, álcool e água sanitária, por exemplo, pode liberar gases tóxicos. Outras combinações podem gerar calor, espuma excessiva e até reações violentas. Em concentrações inadequadas, essas substâncias podem formar soluções mais agressivas, capazes de provocar queimaduras químicas na pele, nos olhos e nas vias respiratórias.
Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), as chamadas “misturinhas” para potencializar a limpeza representam um risco à saúde. A manipulação de produtos deve seguir rigorosamente as orientações do fabricante, descritas nos rótulos.
A Anvisa reforça que é fundamental observar a finalidade de cada produto, os cuidados indicados e a necessidade de uso de equipamentos de proteção individual, como luvas, máscaras e óculos. Nos rótulos também constam as providências que devem ser adotadas em caso de acidentes.
O que fazer em casos de intoxicação
Ao identificar os primeiros sintomas de uma possível intoxicação, a orientação é identificar o produto envolvido e ligar imediatamente para o Disque-Intoxicação, pelo telefone 0800-722-6001, que funciona gratuitamente 24 horas por dia.
Em situações de emergência, como quando a vítima está inconsciente ou com dificuldade para respirar, deve-se acionar o Samu (192). A Anvisa também orienta a não provocar vômito e, sempre que possível, manter em mãos a embalagem ou o rótulo do produto para facilitar o atendimento.
