João de Noronha / GPP
João de Noronha / GPP

Catadores de lixo nas ruas de Curitiba: exploração ainda existe.

Emancipar os trabalhadores dos setores de confecção e reciclagem de lixo, muitas vezes explorados pelos patrões ou atravessadores, é o impulso para a criação de uma rede de cooperativas de economia solidária no Paraná. A iniciativa parte da Agência de Desenvolvimento Solidário (ADS) da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da Delegacia Regional do Trabalho (DRT) no Paraná. A economia solidária se caracteriza pela organização dos trabalhadores para a geração própria de serviço e renda.

Segundo Sérgio Athayde, do escritório paranaense da ADS, as pessoas que trabalham na coleta de lixo para a reciclagem sofrem nas mão dos atravessadores em regime de trabalho semi-escravo. Pagam aos "patrões" o aluguel do depósito (onde também moram) e do carrinho.

No segmento do vestuário, o problema está nas pequenas empresas que montam peças de roupa, principalmente calças jeans, no norte e noroeste do Estado. "São excessos nas jornadas de trabalho, locais com condições precárias, sem registro em carteira, entre outros. Essas empresas abrem e fecham em várias cidades, deixando os trabalhadores na mão", afirma.

O objetivo de formar uma rede de cooperativas para os empregados nestes dois setores é  capacitar profissionalmente, valorizar o produto, alcançar melhor posição no mercado e gerar mais renda. "A rede dá escala na comercialização e valorização do produto", explica Athayde.

No caso da reciclagem de lixo, já existem dois pólos com associações e cooperativas nas regiões de Maringá e Londrina. A expansão acontecerá primeiramente no interior do Estado, segundo Athayde, em cidades como Jacarezinho, no Norte Pioneiro, e Foz do Iguaçu, no Oeste. No setor de vestuário, as cooperativas ainda serão criadas.

O delegado regional do trabalho, Geraldo Serathiuk, conta que já existe o auxílio aos trabalhadores organizados para a construção de barracões e compra de equipamentos nas cooperativas. Os recursos para a criação da rede serão obtidos junto ao Ministério do Trabalho (MT) e governo do Paraná. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, também garantiu apoio. Serathiuk acredita que em até quinze dias, o governador Roberto Requião dará a sua posição sobre o apoio. Se tudo der certo, a composição da rede pode começar ainda este ano, incluindo a capacitação dos trabalhadores. Até o momento, existem 605 cooperativas de economia solidária no Paraná.