Desde então, nas horas que se seguiram, foram diversas matérias explicando o que havia acontecido naquela manhã. ?Precisamente às 8h30 desta manhã, o presidente Getúlio Vargas, que se recolhera a seus aposentos particulares no palácio presidencial, depois das longas e dramáticas horas vividas durante toda a madrugada última, suicidou-se com um tiro de revólver em pleno peito?, informava a Asapress.
Não demorou muito para chegar às máquinas dele o bilhete deixado pelo presidente antes do suicídio. ?À sanha de meus inimigos deixo o legado da minha morte. Levo o pesar de não ter feito pelos humildes tudo aquilo que desejava. Saio da vida para entrar na história.?
E lá foi o garoto Dante, com sua bicicleta, levar as informações bombásticas à redação de O Estado. Mas o que fazer? O jornal daquela manhã já estava nas bancas, informando sobra a provável renúncia de Getúlio Vargas. Mas uma notícia como essa não poderia ser guardada para o dia seguinte.
Toda a redação se mobilizou. Juntou as informações sobre o suicídio, entrevistou o governador Munhoz da Rocha Neto, que declarou que Vargas ?mostrou enorme capacidade de renúncia, renunciando a seu maior bem, a própria vida. O governo e o povo do Paraná prestam a homenagem de sua saudade?; colheu a declaração do vice-presidente Café Filho, que ao assumir prometeu um governo de coalizão nacional. E com o editorial ?O Brasil continua?, publicou sua primeira edição extra, sendo um dos primeiros jornais impressos no Brasil a noticiar o suicídio do presidente.