Devem receber alta hoje a mulher de 67 anos e o homem de 53 (ambos vítimas de miocardiopatia dilatada) que, na última terça-feira, tiveram células-tronco injetadas no músculo cardíaco. Os procedimentos – que fazem parte do Estudo Multicêntrico Randomizado de Terapia Celular em Cardiopatas, lançado pelo Ministério da Saúde e tido como o maior do mundo com células-tronco adultas no tratamento de vítimas de problemas cardíacos graves – foram realizados na Santa Casa de Misericórdia, em Curitiba.

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As cirurgias transcorreram na maior tranqüilidade e concluídas após quatro horas. Segundo o cirurgião cardiovascular Paulo Roberto Brofman, foi necessária meia hora para a retirada das células do interior do osso do quadril dos pacientes, através de punção; duas horas e meia para o processamento do material coletado em laboratório; e uma hora para que as células fossem injetadas nas artérias coronárias através de catéteres.

"Mesmo recebendo alta, os pacientes continuarão sendo acompanhados pela equipe médica. Eles irão receber medicamentos e, durante seis meses, visitas freqüentes de profissionais. Uma série de exames serão realizados para que seja acompanhada a evolução do músculo cardíaco. O objetivo é de que, com a colocação das células-tronco, ele se regenere, possibilitando uma maior qualidade de vida aos pacientes", explica Brofman.

Daqui para frente, uma pessoa por semana deve ser submetida ao procedimento na Santa Casa. No total, 1,2 mil pacientes voluntários (em nove estados e Distrito Federal) participam do estudo, sendo trezentos vítimas de miocardiopatia dilatada. Desses, metade irá receber células-tronco adultas e a outra metade soro. Ambos os grupos terão tratamento da patologia e sua evolução acompanhada. Só depois de seis meses os médicos irão saber quem foram as pessoas que realmente receberam as células, podendo compará-las às que não receberam e saber a real eficácia do procedimento.

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A pesquisa é coordenada pelo Instituto Nacional de Cardiologia de Laranjeiras, no Rio de Janeiro, e está orçada em R$ 13 milhões, tendo duração média de três anos.