Gosto e odor

Substância que alterou água em Ponta Grossa é eliminada, diz Sanepar

Sanepar eliminou no tratamento 100% da substância que causou sabor e odor na água em Ponta Grossa
Foto: Sanepar

A Sanepar confirmou nesta semana que trabalhos no processo de tratamento realizado na Estação de Tratamento de Água (ETA), em Ponta Grossa, nos Campos Gerais, conseguiram eliminar totalmente a presença da substância geosmina, que vinha alterando a percepção de sabor e odor na água distribuída.

Desde o último domingo (1º/03), as análises da Companhia indicaram aumento na remoção da substância durante o processo de tratamento, que chegou a zero.

No final do mês de fevereiro, moradores de Ponta Grossa apontaram características diferentes na água. A situação afetou diversos bairros da cidade e estava relacionada à proliferação de algas no reservatório Alagados, principal fonte de abastecimento da região.

Segundo comunicado conjunto divulgado por Sanepar, IDR-Paraná, IAT, Adapar e Simepar, o problema tem origem na combinação de fatores ambientais: o longo período com chuvas abaixo da média na microbacia do rio Pitangui, o baixo nível do reservatório e as temperaturas elevadas.

A aplicação do carvão ativado nas captações, com adequações no seu ponto de inserção e ajuste na dosagem do dióxido de cloro, foram estratégias adotadas para superar o problema. A empresa também reduziu a adução da captação Alagados, de 28% para 12%, nos momentos mais críticos. 

Concentração elevada de geosmina

A gerente de Avaliação de Conformidades da Sanepar, a bioquímica Cynthia Malaghini, revela que Ponta Grossa enfrentou uma situação sem precedentes na história do estado. 

“Enquanto o volume histórico de cianobactérias em Ponta Grossa costuma variar entre 100 e 150 mil células, este ano os índices saltaram para quase 300 mil. Essa hiperfloração elevou a concentração de geosmina a um patamar excepcional, o dobro que a enfrentada pela CEDAE, na crise vivida pela Estação Guandu, no Rio de Janeiro, em 2021”, compara. 

Cynthia destaca que o olfato e o paladar humano são extremamente sensíveis à substância geosmina. “Há pessoas que conseguem sentir o cheiro e o gosto de terra em uma concentração de 1 nanograma por litro. É como se fosse um grão de açúcar em uma piscina olímpica. Por isso, mesmo com a água dentro de todos os parâmetros de potabilidade, alguns consumidores ainda puderam sentir essa alteração, que agora foi totalmente eliminada no processo de tratamento”, explica.

Novos poços em Ponta Grossa

Embora tenha eliminado a substância no tratamento, a Sanepar segue atuando para evitar que futuras oscilações climáticas ou biológicas voltem a impactar o sistema. Entre as principais medidas, a Companhia contratou uma consultoria especializada para aperfeiçoamento dos processos, que já iniciou o trabalho diagnóstico.

Também vai realizar a perfuração de seis novos poços, em diferentes regiões de Ponta Grossa, para diversificar as fontes de abastecimento e reduzir a dependência da Represa de Alagados. A Companhia também está trabalhando para viabilizar, em parceria com o Instituto Água e Terra (IAT), uma tecnologia canadense que emite de ondas eletromagnéticas de baixa potência para a Represa de Alagados.

 

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