Foto: Jornal do Iguaçu

Motoristas paraguaios tentaram bloquear a ponte, mas foram contidos pela polícia.

Pelo terceiro dia consecutivo, o clima foi tenso na Ponte da Amizade, que liga Foz do Iguaçu a Ciudad del Este. Os motoristas de táxis e vans e os motociclistas paraguaios fecharam parcialmente a avenida que dá acesso à ponte e impediram os colegas de trabalharem, paralisando todo o sistema de transporte local. No entanto, o fluxo de sacoleiros que atravessa a fronteira continuou intenso.

Ontem pela manhã houve tumulto no lado paraguaio. Cerca de cem motoristas que lideram o movimento tentaram, com gritos, apitos e empurrões, bloquear a ponte. No entanto, foram contidos pela Polícia Nacional e soldados da Marinha.

Mas mesmo com a fronteira aberta, a passagem não é livre. Os manifestantes continuam impedindo que os colegas paraguaios façam o transporte de mercadorias. Alegam que a categoria precisa permanecer unida. A medida também se estende aos profissionais brasileiros, que estão impedidos de entrar no Paraguai. Só cruzam a fronteira carros de passeio.

No entanto, o movimento de sacoleiros na ponte continua grande. Boa parte está percorrendo os 550 metros de ponte a pé ou usando o serviço de mototaxistas brasileiros que estão indo apenas até a metade da ponte. Os mototaxistas paraguaios também se limitam a este trajeto.

Outro tumulto foi registrado à tarde. Um comerciante libanês que mora no Brasil e tentou voltar ao país pilotando uma moto com velocidade acima da estipulada pelos manifestantes foi cercado pelos paraguaios. Houve bate-boca e empurra-empurra e o libanês acabou sendo preso pela polícia, por desacato à autoridade.

Os motoristas querem que as autoridades paraguaias criem postos de trabalho na região. A situação piorou depois que a Receita Federal intensificou a fiscalização e começou a apreender diariamente até quatro táxis e vans paraguaias que transportavam mercadorias ilegais. Os paraguaios também querem que o governo negocie com o Brasil a devolução dos veículos.

Em represália ao Brasil, querem que as autoridades paraguaias fiscalizem com a mesma intensidade e expulsem os brasileiros que trabalham ilegalmente no comércio local. A legislação paraguaia exige que eles residam na cidade.

Segundo os motoristas, há em torno de seis mil pessoas nessa situação, que estariam tirando postos de trabalhos dos paraguaios. Afirmam também que foi criada uma força-tarefa para fiscalizar as lojas do microcentro, o que deve ocorrer na semana que vem.

Hoje pela manhã, os motoristas devem fazer uma manifestação em frente a uma escola que será inaugurada pelo presidente do Paraguai, Nicanor Duarte Frutos, em Ciudad del Este. Os auditores fiscais da Receita Federal continuam em greve e a liberação de cargas que saem do Brasil ou chegam do Paraguai e Argentina continua sendo feita de forma lenta.