Apesar de a Secretaria de Estado da Educação afirmar que não foram apresentadas provas de bullying no caso da filha da catadora de recicláveis, o procurador de Justiça e coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias da Criança e do Adolescente, Murillo José Digiácomo, defende que o assunto seja tratado de maneira pedagógica, uma vez que o papel da escola “é formar cidadãos conscientes, que cumpram com seus deveres e respeitem a diversidade”.

O objetivo principal é, mais do que achar culpados, evitar que isso se repita com outras pessoas. “Independente da intervenção da escola, a preocupação deve ser reconhecer que o fenômeno existe e tratá-lo pedagogicamente: discutir e encontrar uma solução. E isso não é só colocar os envolvidos frente a frente e fazer apertar as mãos. Isso não se resolve de maneira tão simplista”, destaca Digiácomo.

Além de buscar solução na escola, a orientação às famílias de jovens que sofrem bullying é, dependendo da situação, registrar ocorrências junto ao Conselho Tutelar, Delegacia do Adolescente ou Delegacia de Polícia, de acordo com a idade do agressor, que pode ser responsabilizado cível ou criminalmente.

De pequeno

Na rede municipal de ensino da capital, o combate ao bullying começa desde cedo. O projeto idealizado pela Coordenadoria de Atendimento às Necessidades Especiais, da Secretaria Municipal de Educação, foi implantado no primeiro semestre deste ano em 42 escolas e a partir do próximo ano será estendido a todas as 184 unidades. A iniciativa, que inicialmente abordava a inclusão de alunos com deficiência, se expandiu para outras características da diversidade e já conquistou bons resultados junto aos alunos e pais do ensino fundamental.

Além de participarem de capacitações sobre o assunto, professores e diretores criaram estratégias de acordo com a realidade de cada escola. “Conseguimos de forma saudável e positiva uma discussão sobre o tema. De pequeno é possível reverter isso pro futuro. Eu acredito no exercício da cidadania, numa relação de qualidade, saudável, que possamos exercer uma cultura de paz e de respeito”, afirma a coordenadora Elda Bissi. “É preciso explicar o que está acontecendo e o que isso pode significar pra quem ouve, o que a criança sente e o que pode acabar acontecendo com ela”, afirma.