Foto: Walter Alves/O Estado

Restos do calçadão destruído pelas ressacas atrapalham diversão de crianças e adultos na areia.

O dia amanheceu nublado ontem no litoral e a garoa fina chegou a desanimar os turistas. Mas esse panorama foi só até a metade da manhã. Depois das 10h, o Sol resolveu aparecer e muita gente saiu de casa para passear no calçadão de Caiobá ou se bronzear na areia. No entanto, parte dos comerciantes não escondiam a frustração com as vendas. Esperam, porém, que a temporada que começa no próximo mês seja melhor.  

Luiz Carlos Dural, 41 anos, e a esposa são de Apucarana e nem estavam ligando para o tempo fechado no início da manhã. ?Prefiro até nublado. É mais fresco e dá para passear bastante?, comentou. A única coisa de que reclamou foi do preço de algumas coisas. ?Onde moro, a lata de cerveja custa R$ 1,50 e aqui está R$ 2,50?, comparou.

Sara Fátima Segantni, 47 anos, de Curitiba, também não se importou com o tempo. ?A gente aproveita para descansar. Aqui sai da rotina. Dorme até melhor e esquece o relógio?, comenta. Mas como Luiz, ela também tinha uma reclamação. ?Os preços das pousadas são todos iguais. Parecem que combinam e a gente não tem muita escolha?, disse.

Mas para a família de Simone Betzek, 36 anos, de Medianeira, oeste do estado, tudo estava bom. Eles fizeram a maior festa quando o Sol apareceu. ?Praia sem Sol perde 50% da graça. As crianças já brincaram na água e agora estão na areia?, comemorava. Ela esperava que até o dia de ir embora o tempo não fechasse de volta.

Comércio

No entanto, se por um lado os turistas estavam se divertindo, o mesmo não acontecia com os comerciantes. No mercado de peixes o movimento neste feriado foi igual ao do dia 12 de outubro, com vendas em baixa. Doroti da Silva Santos, 50 anos, calculava que venderia apenas 30 quilos. Em dias de grande movimento chega a 70 quilos. Agora ela deposita suas esperanças na temporada que se aproxima. Porém, como os veranistas, ela também tem suas reclamações. ?O problema é com a coleta de lixo que acontece apenas uma vez por dia. O ideal seria duas vezes. O cheiro do peixe fica muito forte e junta moscas. Isso afasta os turistas?, reclama. Segundo ela, os pescadores já pediram a ampliação do serviço, mas ainda não foram atendidos.

O comerciante João Carlos Gonçalves vende roupas e também não escondia a frustração. ?Ainda está muito fraco. Veio pouca gente para cá?, avaliava. Embora também tenha esperança de uma boa temporada, reclama da falta de investimentos. ?Aqui na frente da minha loja quase não tem areia e isso afasta os turistas. O mar está avançando, precisa de uma dragagem?, explica.

Calçadão

Outro problema da orla de Caiobá é a permanente destruição do calçadão. No inverno deste ano, devido às ressacas, as ondas chegaram a três metros e destruíram as escadas que dão acesso ao mar. A calçada desabou em vários pontos. Placas que indicam risco de desabamento deixam os turistas apreensivos. ?O governo do Estado deu uma arrumada. Mas do jeito que está ainda não está bom. Requião esteve aqui e disse que vai arrumar tudo para a outra temporada. A gente espera que ele cumpra?, comenta o vendedor ambulante, que há 12 anos trabalha no local, Custódio Alves de Souza.