INSS fechado desde o mês passado.

Brasília – Servidores públicos federais promovem hoje greve geral, cobrando reajustes salariais maiores do que os oferecidos pelo governo. Apesar de admitirem que a greve do funcionalismo público federal já nasce com divisões, os sindicalistas apostam em aumento gradual da mobilização dos servidores nos próximos dias. Várias assembléias estão previstas para hoje nos estados e o ato principal acontece nesta manhã, na Esplanada dos Ministérios, no espaço do servidor. Em todo o País, existem 905 mil funcionários federais ativos e aposentados e pensionistas, sendo 490 mil em atividade. “Essa será nossa primeira atividade para mobilizar os servidores”, afirmou ontem o secretário-geral da Confederação Nacional das Entidades de Servidores Federais (Condsef), Gilberto Jorge Cordeiro.

Segundo a Condsef, que tem cerca de 400 mil filiados em todo o País, apenas cerca de 20% desse total deverá aderir ao movimento. “No entanto, no decorrer da semana, teremos aumento nas paralisações das atividades e o pico ocorrerá na semana que vem, quando as entidades sindicais deverão convocar grande marcha dos servidores de todos os estados a Brasília”, disse Cordeiro. A previsão é que não entrem na greve, neste momento, os funcionários do Legislativo, do Judiciário e parcela do setor de educação.

Pressão

Entre eles, estão os professores universitários que decidiram paralisar suas atividades somente hoje e amanhã. Segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Professores Universitários (Andes), Luiz Carlos Gonçalves Lucas, há proposta aprovada de nova paralisação no dia 20 deste mês, véspera da data final dada pelo governo para que o funcionalismo dê resposta sobre a proposta de reajuste diferenciado. O Ministério do Planejamento propõe a aplicação de índices que variam de 12,85% a 32,27% para os ativos e de 9,5% a 29,38% aos aposentados e pensionistas. Com a greve por tempo indeterminado, os funcionários federais querem pressionar o governo a garantir a paridade de reajuste nos salários de ativos, aposentados e pensionistas. Além disso, reivindicam correção salarial para todos de 50,19% que seria o equivalente à inflação acumulada desde 1998.

Mesmo antes da convocação geral, algumas categorias de servidores já haviam decidido pela greve. Os da Previdência estão parados desde o mês passado em vários estados. Eles querem, além da recomposição de 50,19%, a mudança de critérios para medir desempenho para o pagamento de gratificação antiga de 47,11%. Funcionários do Incra, auditores da Receita Federal, Advogados da União e fiscais do Ministério do Trabalho são outros exemplos já em greve.