Foto: João de Noronha

Graziela: medida coloca em risco a vida dos servidores e da população atendida por eles.

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Os servidores estaduais da Saúde aprovaram ontem, em assembléia, paralisar as atividades a partir da próxima semana se o governo estadual não sentar para negociar a nova carga horária de trabalho imposta pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). Os trabalhadores cumprem jornada de 30 horas semanais, mas o governo ampliou para 40. No último mês, vários servidores tiveram dias de trabalho descontados por não cumprirem a determinação.

A diretora do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde Pública do Estado do Paraná (SindSaúde), Graziela Sternheim, diz que há mais de 20 anos os trabalhadores da Saúde cumprem jornada de 30 horas. A carga horária é respaldada em orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Mundial do Trabalho (OIT). Além disso, Graziela comenta que algumas categorias, como dentistas, terapeutas, fisioterapeutas e farmacêuticos, também são protegidas por leis federais e, mesmo assim, ainda estariam sendo obrigadas a cumprir a nova carga horária.

Para Graziela, a medida adotada pelo governo coloca em risco a vida da população que depende desses serviços e também dos próprios servidores. Ela explica que estudos mostram que depois da sexta hora de trabalho as chances de um trabalhador cometer erros aumenta muito. ?Um bioquímico pode errar o diagnóstico. Depois de seis horas, a vista já está cansada e o nível de atenção não é o mesmo?, exemplifica. ?Alguém que trabalha com agulhas também pode se ferir, ser contaminado por alguma doença grave?, completa.

Segundo a sindicalista, o problema da categoria começou depois de 1992, quando foi criado o Quadro Próprio do Poder Executivo (QPPE). Os servidores foram enquadrados pela Lei 13.666, que determina o cumprimento das 40 horas semanais para todos os servidores. ?Mas a nossa categoria tem especificidades que as outras não têm?, justifica Graziela.

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Há dois meses, os servidores vêm se mobilizando. Ontem, fizeram uma manifestação e aprovaram em assembléia que a categoria cruze os braços até que o governo sente para negociar. ?Estamos elaborando um cronograma de paralisação para não prejudicar a população.? O governo do Estado possui cerca de sete mil servidores, que atuam em vários locais, como hospitais regionais e hemobancos.