Servidores do Judiciário federal entram em greve a partir das 13h de hoje, no Paraná e em outros 17 estados. A reivindicação principal é que o Plano de Cargos e Salários (PCS) da categoria volte a tramitar com urgência na Câmara dos Deputados, uma vez que o sindicato que representa os servidores no Estado, o Sinjuspar, alega defasagem em mais de 100% nos salários. Os grevistas aproveitam ainda a paralisação para protestar contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 02, de autoria do deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE), que pode ser votada ainda esta semana no Congresso. Se aprovada, a PEC permitirá aos órgãos públicos fazer contratações sem necessidade de concurso público e com possibilidade de efetivação nos cargos.

"Greve é o último recurso. Estamos há oito anos sem aumento", justifica o coordenador do Sinjuspar, Jair Nascimento, para a paralisação por tempo indeterminado dos servidores da Justiça Federal, Eleitoral e do Trabalho. Auxiliares, agentes, analistas e técnicos judiciários, que promovem o atendimento ao público, devem aderir em massa à greve. Segundo Nascimento, a idéia é apressar o governo para votação do PCS, que já tem pauta incluída na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados. "Consta nessa pauta uma negociação de 30% a 37% de reposição salarial, em média. É tentativa de repor pelo menos um terço das nossas perdas", coloca.

Outra medida é acabar com a PEC 02 que, se aprovada, vai se tornar "o trem da alegria para o serviço público", conforme define o sindicalista. "Qualquer pessoa indicada pode acabar entrando pelas portas dos fundos no sistema", lamenta. De acordo com Nascimento, membros da Fenajufe, federação que representa a categoria, pressionam os parlamentares em Brasília para que a PEC não seja aprovada, e a greve vem em momento oportuno para auxiliar nos protestos.

Serviços

Nos próximos dias, o atendimento na Justiça Federal, do Trabalho e no TRE deve ficar em caráter precário. Por isso, quem necessita de serviços dos Juizados Especiais e da área previdenciária, principalmente, além de regularizações junto à Justiça Eleitoral, é aconselhado a esperar as negociações. "Vamos esquematizar para não haver prejuízo nos serviços essenciais, mas a greve dificulta o atendimento", avisa Jair Nascimento. No início da tarde, quando as atividades param, os grevistas prometem manifestações em frente à sede da Justiça Federal em Curitiba, na Avenida Anita Garibaldi. O Sinjuspar estima que as perdas salariais atinjam pelo menos sete mil servidores somente no Paraná.