Enquanto deputados estaduais aprovam o aumento próprio de salário em quase 100%, o cidadão comum tem dificuldades para ser atendido pela rede de saúde. Um homem de 53 anos teve um enfarto no domingo pela manhã na cidade de Cascavel, oeste do Estado, e só conseguiu ser internado numa Unidade de Terapia Intensiva (UTI), à noite, porque não havia leitos disponíveis na cidade. Até a Polícia Militar foi chamada para agir.

O drama do senhor de 53 anos, que não teve o nome divulgado pelos órgãos envolvidos, começou no domingo pela manhã, quando sofreu um ataque cardíaco. Os primeiros socorros foram feitos em um posto de saúde, mas ele precisava ser internado em um leito de UTI. A região, que possui quase 500 mil habitantes, tem apenas 16 leitos e todos estavam ocupados.

Já era noite quando o paciente conseguiu ser internado. Mas antes disso, até a Polícia Militar teve que ser chamada para intervir. O hospital particular, credenciado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), se recusava a recebê-lo. A direção alegava que não havia leito disponível. Depois de duas horas de discussão, o paciente foi atendido. Na cidade, apenas dois hospitais atendem pelo SUS, o que causa a superlotação. Outros dois se descredenciaram. Um por não receber o pagamento em dia e o outro afirma que não possui equipe médica.

Mas, segundo nota emitida ontem pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) não existe déficit de leitos no Paraná, tanto gerais quanto os de UTI. Segundo uma portaria do Ministério da Saúde, o Paraná tem mais que o número mínimo estabelecido. A quantidade mínima é de 801 e o Estado tem 1.124, contando com os leitos particulares contratados pela (Sesa). Mais de 40% foram criados neste governo.

Com relação a região oeste, a nota diz que o governo estadual está construindo dois hospitais. O primeiro em Foz do Iguaçu, que já está parcialmente em funcionamento. O outro, em Francisco Beltrão, já está em obras. Após o término dos trabalhos e com os dois hospitais em funcionamento, a região oeste terá, a mais, 6.567 leitos normais e 164 leitos de UTI.

A 5.ª Regional de Saúde, com sede em Cascavel, abrange 25 municípios com uma população de 486.078 habitantes. De acordo com a portaria do Ministério da Saúde, o município deveria contar com o mínimo de 972 e o máximo de 1.458 leitos gerais. Atualmente, a Regional de Saúde possui 1.896 leitos gerais – 1.400 são cadastrados ao SUS. A nota traz ainda dados sobre a macrorregião do oeste, que engloba as regionais de saúde de Pato Branco, Francisco Beltrão, Foz do Iguaçu, Cascavel e Toledo: existem 6.117 leitos gerais, sendo 4.514 vinculados ao SUS e 122 leitos de UTI. A região conta ainda com 34 leitos de UTI contratados junto aos hospitais particulares, que somando-se aos leitos credenciados totalizam 156 leitos de UTI.