Senai promove palestra sobre ações inclusivas

Desde 1991 a legislação brasileira estabeleceu cotas para a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Empresas com mais de 100 funcionários precisam contratar este tipo de mão-de-obra. Mas nem todas cumprem o que determina a lei. Em alguns casos é o preconceito quem atrapalha a contratação e, em outros, é a falta de profissionais capacitados. A situação está sendo discutida hoje, no 1.º Encontro Internacional de Ações Inclusivas, promovido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), e pretende estabelecer parcerias com o Conservatório Nacional de Artes e Ofícios (CNSM), da França, para ajudar a amenizar o problema.

Desde 2002, o Senai trabalha nesta área no Estado. Pesquisa o mercado de trabalho e capacita seus professores para ministrar os cursos. Até julho de 2005, 1.043 alunos foram qualificados. Para a coordenadora de alianças estratégicas e projetos especiais, Marlete Simões, os empresários estão começando a mudar a sua visão a respeito da pessoa com deficiência. "Um profissional qualificado vai dar retorno para a empresa. A visão assistencialista está começando a desaparecer", avalia.

O encontro vai ser realizado até o fim da semana e devem ser fechadas parcerias com a instituição francesa. A diretora do CNMA, Eliana Sampaio, especialista nesta área, diz que a inclusão da pessoa deficiente é um problema mundial. Mas cada país tem as suas particularidades. Na França, por exemplo, a discussão do assunto começou logo após a 2.ª Guerra Mundial, que provocou uma série de mutilações na população. Em 1987 a legislação reforçou as ações de inclusão que estabeleceu o sistema de cotas. As empresas podem contratar a mão-de-obra ou contribuir com um fundo que financia a capacitação da pessoa deficiente.

Apesar de todos os avanços, Eliana acha que ainda falta muito para que a pessoa deficiente conquiste seu espaço. Isto só será possível com a abertura das empresas para este tipo de mão-de-obra. Para ela, a troca de experiências entre os dois países pode ajudar no desenvolvimento de ações que favoreçam a inclusão. 

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