Londrina – Vinte e nove de outubro é o Dia Nacional do Livro, aquele que, diferentemente de uma tela de computador, pode-se pegar, cheirar e estabelecer não só uma relação intelectual, mas também sensorial. Em comemoração à data, a Biblioteca Pública de Londrina, que possui 76.500 exemplares à disposição dos londrinenses, promove, a partir da segunda-feira (dia 25) uma série de atividades especiais. Mostras de livros infantis, visitas a hospitais e exposição de livro gigante integram a programação da Semana Nacional do Livro e das Bibliotecas que, oficialmente, vai de 25 a 29 de outubro. As atividades na biblioteca podem ser conferidas das 8h às 18h.

Segundo a diretora da Biblioteca Pública, Célia Gléria, a evolução da internet provocou a diminuição no número de usuários do órgão, mas também possibilitou que a qualidade na procura e utilização do acervo aumentasse. “O livro não é como uma tela de computador, ele estabelece uma relação diferenciada com o usuário, adquirindo mais do que a função de informar. O livro é muito valioso e esta data comemorativa é muito importante para nós”, disse a diretora.

Na segunda-feira a programação da Semana Nacional do Livro conta com a abertura da 2.ª Mostra de Ilustração e Literatura Infantil Ilustres Idéias, patrocinada pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic). A mostra é o resultado dos trabalhos de produção literária realizados durante todo o ano com idosos do projeto Sabiá, desenvolvido no Hospital Evangélico; adultos, na Gibiteca; e crianças da rede municipal de ensino. No total, cerca de 200 pessoas, de 6 a 72 anos, participaram do projeto, desenvolvido sob a coordenação de Lara Haddad. Estarão expostos cerca de 80 trabalhos de autores das várias idades.

É também na segunda-feira que ocorre a abertura da exposição Livrinho livrão, na Biblioteca Ramal da região norte (Avenida Saul Elkind, 790). Durante esse evento, os londrinenses poderão fazer a leitura de um livro diferente, de quase dois metros de altura por 90 cm de comprimento. O livro gigante traz a história “O pote de melado”, dos autores Mary França e Eliardo França, e foi confeccionado, segundo Célia, com o objetivo de estimular a leitura e aumentar o número de freqüentadores da biblioteca.

De acordo com a diretora, a Semana Nacional do Livro ainda terá momentos de “contação de histórias”. Às 14h do dia 25, Sara Silva, uma voluntária, vai narrar, com o uso de fantoches, histórias infantis para as crianças presentes na Biblioteca Pública. Porém, esses momentos não se restringirão ao prédio da Avenida Rio de Janeiro; também vão fazer parte da vida de crianças hospitalizadas de Londrina.

A partir de terça-feira (dia 26), o projeto “Livro é o melhor remédio” percorre as alas infantis do Hospital do Câncer, do Evangélico, do HU e do Infantil. Funcionárias da biblioteca, vão contar histórias às crianças internadas. O projeto, que funciona desde 1991, também irá levar cerca de 50 títulos aos hospitais. “As crianças manuseiam os livros, ouvem histórias e ganham presentinhos confeccionados por voluntários,” disse a diretora.

As visitas à Biblioteca Pública durante a Semana Nacional do Livro devem aumentar, conforme prevê a diretora. “Vamos receber alunos das escolas municipais além dos usuários. Devemos receber mais de 2.000 visitas por dia”, afirmou. O objetivo das comemorações também consiste na divulgação dos serviços prestados pela biblioteca.

Escrevendo o Futuro é de Apucarana

Apucarana

– O estudante Fernando Henrique de Lima, 11 anos, de Apucarana, venceu a etapa Regional Sul da segunda edição do Prêmio Escrevendo o Futuro, iniciativa da Fundação Itaú Social, que tem por objetivo estimular o desenvolvimento de habilidades para a escrita, entre estudantes de 4.ª e 5.ª séries do ensino na categoria poesia (aluno da 4.ª série do ensino fundamental na Escola Municipal João Batista, na Vila Vitória Régia).

Juntamente, Lilia Rodrigues da Silva, 11 anos, de Esteio (RS), categoria opinião e Emanuela Gonçalves de Campos, 10 anos, de Toledo (PR) na categoria memória, fundamental, de escolas públicas de todo o País foram vencedores. “Além de ganhar um computador e uma impressora, os alunos estão classificados para a fase final da premiação, que será realizada em 6 de dezembro, em São Paulo”, destaca o prefeito Valter Pegorer.

Maior premiação da área de educação no País, o Escrevendo o Futuro distribui prêmios no valor de R$ 400 mil em bolsas de estudos, computadores, impressoras, livros e jogos educativos, para estudantes, seus professores e escolas. “Os vencedores foram selecionados entre alunos de 2 mil escolas públicas do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul que participaram do Escrevendo o Futuro”, frisa Sebastião Carlos Bressan, secretário de Desenvolvimento Humano. No Brasil, cerca de 1 milhão de estudantes de 10 mil escolas públicas se inscreveram ao Prêmio, além de 25 mil professores.

Igual a todo mundo

Sou um menino
inquieto e preocupado.
Já, desde pequeno,
sei o que é sentir falta
de um pai do meu lado.
Ganhei o apelido de Lalau
até que gosto deste nome.
Acho que é muito legal,
é mesmo nome de homem.
Imagino que Lalau
é porque não tenho paradeiro,
eu e minha pobre mãezinha.
Igual a muitos brasileiros,
vivendo de bolacha, água e sal.
Lalau não é um nome tão feio.
Mas morar ali e logo lá,
Ali, lá, ali, lá, lá …
É assim que este nome veio.
Nunca pude fazer nada,
é coisa do destino, eu creio.
Queria tanto ser normal,
morar num bairro igual
ao que todo mundo mora.
Estender roupa no varal.
Quando me perguntam
do lugar onde vivo.
Fico todo enrolado,
Muitas vezes, indeciso.
Queria tanto retratar
o crescimento, as mudanças.
Não consigo ter lembranças,
pois vivo a esperar
o dia em que não vou
mais precisar mudar.
O lugar onde vivo
é esse Paraná.
Conheço muitos lugares
e sei que outros
estão a me esperar.
Não acredito que seja.
Hoje estou em Apucarana
mas e amanhã?
Posso estar em Sertaneja!
Eu queria um cantinho
onde eu e minha família
poderíamos juntos morar.
Por muitos e muitos anos
deixando para trás
a tristeza de “mudar”.

Autor: Fernando Henrique de Lima, 11 anos, de Apucarana, vencedor na categoria poesia Região Sul, do 2º Prêmio Escrevendo o Futuro, da Fundação Itaú Social. Aluno da 4ª série do ensino fundamental na Escola Municipal João Batista, na Vila Vitória Régia.