Um grupo de cerca de trezentos agricultores sem terra bloquearam ontem por mais de sete horas um trecho da BR-487, na região de Icaraíma, no Noroeste do Paraná, a cerca de 79 quilômetros de Naviraí (MS). Os manifestantes pertencem a três grupos de agricultores familiares – Ilhéus, Ribeirinho de Icaraíma e Unidos pela Terra – que estão acampados na beira da rodovia há cerca de oito anos. Eles reivindicam junto ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) uma área para assentamento, porém, o órgão garante que não existem terras improdutivas na região.

Os manifestantes iniciaram o protesto por volta das 7h, bloqueando a pista, o que provocou um congestionamento de cerca de um quilômetro nos dois sentidos da via. No início da tarde, eles permitiram que a Polícia Rodoviária Estadual liberasse o tráfego a cada meia hora, e por volta das 15h, deixaram a estrada. Uma das líderes do movimento, Leonice Teixeira de Melo, afirmou que as famílias estão cansadas de esperar uma resposta do Incra. ?São oito anos de lona. Agora estamos com duas crianças com hepatite no acampamento sem as menores condições de saúde. Não dá mais para esperar?, falou.

O superintendente do Incra no Paraná, Celso Lisboa de Lacerda, afirmou que não adianta os agricultores se manifestarem, pois não existem áreas para assentamento na região Noroeste do Estado. ?Eu já cansei de dizer isso para eles?, afirmou. Lacerda acrescentou que no início do ano os próprios agricultores solicitaram a vistoria em 15 áreas próximas aos acampamentos, porém, todas foram consideradas produtivas, e o processo não avançou. Lacerda sugeriu então que os agricultores detectassem áreas para a venda na região que o Incra providenciaria a compra, ?mas até agora eles não fizeram isso e me cobram algo que o Incra não pode fazer?. Os agricultores prometem novas manifestações se não tiverem as reivindicações atendidas.

Desocupação

Cerca de 300 pessoas deixaram ontem duas propriedades rurais na região Sudoeste do Paraná. As fazendas Três Elos e Campo Novo, em Quedas do Iguaçu, foram invadidas em abril de 2004 pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A desocupação foi negociada pela Comissão de Mediação de Conflitos Agrários, da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp). Os sem terra se deslocaram para uma área na Fazenda Araupel, comprada pelo Incra. Agora irão aguardar a distribuição de terras pelo governo. De acordo com a Sesp, essas foram as 104.ª e 105.ª desocupações feitas durante o governo Roberto Requião.