O veterano engenheiro e arquiteto Lolô Cornelsen acredita que a solução para o crescente problema do trânsito em Curitiba – com número de carros perto da saturação e malha de linha de ônibus que não atende a demanda – está no transporte ferroviário. Ele acha que a solução passa pelo aproveitamento do traçado da malha ferroviária existente e a introdução do metrô de superfície. “Eu fico estarrecido! Se foi feito assim na Europa, por que não pode ser feito no Brasil? O caso de Curitiba é o mesmo de Edimburgo, na Escócia. Lá deu certo, em todos os lugares deram certo, porque aqui não pode dar?”, pergunta ele, que lançou um projeto com esta finalidade em 1985 e ainda hoje, aos 90 anos, continua defendendo a mesma ideia.

Marco Andre Lima
Proposta era implantar três linhas independentes.

O projeto desenvolvido em 1985, quando Cornelsen estava como superintendente adjunto da Sudesul (Superintendência do Desenvolvimento da Região Sul), era considerado barato e revolucionário. Naquela época, o projeto levou o nome de Expresso Metropolitano de Curitiba, com três linhas independentes: linha vermelha (Araucária, Fazenda Rio Grande, São José dos Pinhais e Curitiba), com 38 quilômetros; linha verde (Piraquara, Pinhais e Curitiba), com 36 quilômetros; e linha amarela (Curitiba, Cachoeira e Almirante Tamandaré com possibilidade de se estender até Rio Branco do Sul), com 26 quilômetros.

De acordo com a proposta, as linhas usadas pelos trens de carga seriam mantidas e outras duas seriam construídas paralelas à linha central – uma para ir e outra para vir -, destinadas ao transporte urbano de passageiros. O sistema seria protegido por alambrados, haveria ciclovias acompanhando as linhas e estudava-se a adoção de um comboio moderno, reciclado dos países desenvolvidos, que seria trocado por commodities.

A estação central seria no Terminal Rodoferroviário de Curitiba, que seria ampliado para comportar o aumento do fluxo de pessoas na área. A proposta, à época, foi ignorada. E com o despertar do interesse no Brasil pelo transporte ferroviário e também na busca por soluções para o transporte urbano de massa nas grandes metrópoles, Cornelsen resolveu tirá-lo da gaveta para, pelo menos, dizer: “Eu falei, não falei?”.