Segurança garantida para os pedestres na Linha Verde

Rampas de acesso, calçadas, canteiros de descanso, grades, faixas para pedestres, pistas mais estreitas do que o padrão das vias rápidas, velocidade de trânsito urbano e não mais de rodovia, semáforos e monitoramento do tráfego em tempo real vão garantir a travessia de pedestres na Linha Verde com conforto e segurança. A avenida, que terá na primeira etapa 9,4 quilômetros, entre os bairros Pinheirinho e Jardim Botânico, está sendo construída no trecho urbano da antiga BR 116 e vai abrigar o novo corredor de transporte da cidade.

A nova avenida passa por dez bairros onde moram 260 mil pessoas e quem mora no entorno da antiga BR já percebe a diferença. “Nossa região ficou muito segura e valorizada”, afirma o operador de máquinas Devanil Gremaschi, que há 25 anos mora na Vila São Pedro e diariamente faz o trajeto de sua casa até a empresa Selecta, onde trabalha. “Os sinaleiros já instalados acabaram com os atropelamentos, que eram muito freqüentes por aqui”, diz, satisfeito.

Jair Rodrigues, presidente da União das Associações de Moradores, Clube de Mães, Entidades Beneficentes, Assistenciais e Culturais do Boqueirão, concorda com Devanil. “Quem vive por aqui já viu muita tragédia na BR, mas hoje estamos felizes porque esta obra vai traz segurança e acaba com 40 anos de espera das pessoas que lutavam por melhorias na região”.

Os fatos a que Devanil e Jair Rodrigues se referem ficam claros também em depoimentos colhidos entre 20 de agosto e 4 de setembro de 2007 numa rodada de encontros promovidos pela Prefeitura com moradores e trabalhadores do entorno da antiga BR. Depois da apresentação do projeto, da discussão de medidas de segurança durante as obras e de responder às perguntas e questionamentos da comunidade, os técnicos recolheram depoimentos dos participantes sobre a vida no entorno da BR. “Em um ano vi mais de 100 pessoas serem atropeladas”, deixou escrito um dos participantes. “Em frente à minha casa sempre foi um terror”, anotou outro. “A BR 116 é o único defeito da cidade” registra outro depoimento colhido nos encontros.

Mudança

A realidade agora é outra e neste trecho já não há vestígio da antiga BR onde era praticamente impossível atravessar a pé. Os bolsões de travessia na Salgado Filho, no Posto Brasília e na Vila São Pedro, onde se formavam filas e congestionamentos envolvendo automóveis e caminhões desapareceram por completo e, nestes locais, a travessia dos veículos é feita em linha reta e sentido único de trânsito, nos binários São Pedro e Santa Bernadethe e Fanny e em uma das alças do binário PUC, implantada pela rua Imaculada Conceição.

A travessia do carro em linha reta, em ruas interligadas na Linha Verde, é também um dos pontos de travessia segura para o pedestre. Isto porque quando o sinal fecha para os veículos não há perigo de que um carro faça a conversão no ponto em que o pedestre está atravessando.

A velocidade dos carros também já começa a mudar e placas de sinalização urbana, indicando velocidade máxima em 70km/h já se espalham ao longo do primeiro trecho, entre os bairros Pinheirinho e Fanny. É a mesma velocidade permitida na avenida das Torres, além do fato de que a pista a ser atravessada tem 10,5 metros de largura – nas vias rápidas, o padrão é de 12,5 metros.

A Linha Verde é uma avenida urbana e tem no centro as canaletas dos ônibus. As vias marginais com três pistas em cada sentido, com 10,5 metros de largura, ficam ao lado das canaletas. Margeando estas pistas, há os canteiros, calçadas e as pistas locais, mais estreitas, para acesso aos bairros e comércio. Nas estações de transporte, as pistas locais desaparecem e se fundem às marginais, tornando os pontos de travessia ainda mais estreitos para os pedestres.

É um conjunto semelhante, por exemplo, ao da avenida Sete de Setembro que é formado pela própria Sete de Setembro (canaletas e pistas de acesso ao comércio) e as avenidas Visconde de Guarapuava e Silva Jardim, cada uma com um sentido de tráfego, como serão as marginais da Linha Verde. A diferença é que para atravessar a pé o conjunto trinário da Sete de Setembro o cidadão atravessa, além das três avenidas, também as quadras que as separam. No caso da Linha Verde as três avenidas – canaletas e pistas lentas e as duas marginais – são separadas não por quadras, mas por canteiros de descanso, ciclovias e calçadas.

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