Uma lei municipal proíbe a atividade de locação de cães de guarda em Curitiba. Entretanto, são diversos os casos de desrespeito à determinação. Em vários pontos da cidade, é possível encontrar cachorros de grande porte deixados em terrenos abandonados, construções e imóveis vagos. Muitas vezes, os bichos são vítimas de maus-tratos.

Na esquina entre as Ruas Guararapes e Professor Sebastião Paraná, no Água Verde – de onde recentemente a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente de Curitiba e a organização não-governamental Sociedade Protetora dos Animais recolheram uma cadela doente que havia acabado de dar à luz – estão um cão rottweiler e uma cadela mestiça fazendo a guarda de um imóvel vazio.

Segundo pessoas que moram nas proximidades do local, os animais, que pertencem à empresa Feroz – que conseguiu liminar na Justiça para continuar atuando -, recebem poucos cuidados de tratadores.

“Os cães ficam abandonados. Nunca vi ninguém da empresa de guarda dando água ou comida para eles. São os próprios moradores do Água Verde que os alimentam”, conta a dona de casa Graça Maria Borinelli.

Urbanismo

O diretor do Departamento de Fiscalização da Secretaria Municipal de Urbanismo de Curitiba, José Luiz Filippetto, informa que tem recebido muitas denúncias que não procedem em relação a cães de aluguel ou mesmo animais deixados em imóveis vazios.

Entretanto, quando é constatada irregularidade, o responsável é notificado. Se ele não faz nada para corrigir a situação, recebe multa de R$ 500. Esse valor dobra em caso de reincidência.

“De janeiro até junho, tivemos 184 reclamações a respeito de animais em atividade de guarda. Dessas, 181 foram vistoriadas, sendo que apenas 17 geraram notificações”, declara. A equipe de O Estado não conseguiu conversar com o responsável pela empresa Feroz, Jair Pereira de Souza Pinto Júnior, que estava em viagem.