O dia 29 de maio de 2002 não vai ser facilmente esquecido por Maria de Lara Nader. Líder comunitária, conselheira da Unidade de Saúde do Boqueirão e integrante da União Brasileira de Mulheres, Maria esteve na Secretaria de Estado da Educação (Seed) na tarde do dia 29 procurando uma funcionária da secretaria que havia ligado para sua casa. A líder comunitária foi à secretaria atrás da funcionária que queria conversar sobre um projeto de alfabetização desenvolvido por Maria. Ao ser informada que a funcionária em questão não estava, Maria dirigiu-se à saída e foi surpreendida por uma recepcionista que a obrigou a abrir sua bolsa para revista. “Se eu não abrisse eu não saía. É uma situação que me deixou constrangida, muito triste”, diz. Maria procurou a coordenação da União Brasileira de Mulheres, que assinou um documento onde pede retratação por parte da Seed.
A diretora-geral da secretaria, Roberta Braga, confirmou o caso a O Estado. Segundo ela, as revistas a bolsas e porta-malas de veículos têm sido feitas há cerca de uma semana. O procedimento foi adotado para tentar evitar furtos que estavam sendo verificados na secretaria. “Tivemos monitor, laptop e um canhão de projeção roubados.” Roberta entende que a atitude é antipática, porém necessária. “Ou fazíamos isso ou seríamos omissos.” Segundo ela, a decisão foi respaldada pela assessoria jurídica da secretaria e é uma prática comum em órgãos públicos.