Gastos públicos

Secretaria do Turismo paga R$ 400 mil por espaço em show de lutas no Paraná

Secretaria do Turismo investe R$ 400 mil em luta de boxe.
Secretaria do Turismo investe R$ 400 mil em luta de boxe. Foto: Pixabay / imagem ilustrativa.

Uma autorização de despesa da Secretaria de Estado do Turismo do Paraná (SETU) destinou R$ 400 mil em recursos públicos para a locação de um espaço institucional de 200 m² dentro do Fight Music Show (FMS), evento de lutas de entretenimento realizado no dia 25 de julho, em Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais.

A contratação, realizada em licitação e pela modalidade de inexigibilidade, teve como beneficiário direto o Instituto Bom Kombat e assinada pelo secretário de Estado do Turismo, Luciano Ferreira Bartolomeu.

O valor pago pelo governo estadual equivale a R$ 2 mil por metro quadrado. O montante se destaca quando comparado a outras contratações de espaços institucionais realizadas pela própria SETU no mesmo período para a divulgação do turismo em feiras e festas regionais pelo Paraná.

Em Umuarama, a secretaria investiu R$ 170 mil por 150 m² de um estando no Arraiá do Nordeste no dia 25 de julho, incluindo montagem e painéis de LED. Em Campo Mourão, no evento ACICAM Conecta 2026, a secretaria pagou R$ 150 mil por 150 m² para divulgar o turismo no Paraná a quem estava presente.

SETU diz que FIght Music Show possui alto poder de atração de turistas

Questionada pela reportagem da Tribuna do Paraná, a Secretaria de Estado do Turismo (SETU) disse que a participação da secretaria no evento alinha-se ao Programa Paraná Mais Eventos e aos eixos do turismo de eventos e do turismo esportivo, que são grandes “indutores do fluxo de visitantes”.

Eventos de entretenimento e lutas de grande porte, segundo a SETU, tem “alto poder de atração de turistas de outras cidades e estados e geram impacto econômico imediato na região, com ocupação de rede hoteleira, movimentação da gastronomia e do setor de serviços”.

Com relação ao valor do metro quadrado pago no evento, a secretaria explicou que a locação de espaços não é tabelado de forma fixa pelo Estado, pois ele “obedece á lógica do porte e alcance de cada evento”. A SETU reforçou que não define o valor de forma arbitrária e paga exatamente o mesmo valor comercial praticado pela organização para qualquer outra empresa ou instituição privada que adquira um espaço similar.

De acordo com a secretaria, a organização é obrigada a comprovar a equidade de preços mediante a apresentação de notas fiscais de contratos de locação firmados com outros participantes, garantindo que o Estado pague o preço justo de mercado.

Por fim, a SETU esclareceu que o valor ainda não foi pago. “Como o evento ocorreu no dia 25 de julho, a organização encontra-se dentro do prazo legal regulamentar para apresentar o relatório da execução física. Por se tratar de um contrato de locação de espaço regido pelo direito público, o Governo do Estado só realiza qualquer pagamento após análise documental e a conferência rigorosa de que o espaço foi entregue e montado exatamente nos moldes, dimensões e contrapartidas exigidos no Termo de Referência”.

Sem retorno do Fight Music Show

A Tribuna do Paraná buscou a organização do Fight Music Show ao longo da última semana para verificar dados de público presente, a programação executada e se o estande institucional de 200 m² contratado com dinheiro público esteve de fato montado e operacional durante o evento em Ponta Grossa.

A reportagem entrou em contato com três representantes diferentes da organização do FMS, que repassaram contatos sucessivos de outros responsáveis internos. Apesar das investidas diretas, a organização não respondeu a nenhum dos questionamentos encaminhados por aplicativo de mensagem até a publicação deste texto.

A Tribuna também foi atrás o Instituto Bom Kombat, que recebeu o valor de R$ 400 mil referentes a locação do estande no evento. O número de telefone cadastrado no site da entidade, no entanto, pertence a uma pessoa sem qualquer vínculo com a instituição, que informou desconhecer a organização e não possuir formas de contato com seus responsáveis.

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