O projeto de suplementação orçamentária enviado à Câmara Municipal de Matinhos para o pagamento dos médicos que prestam serviço na saúde pública da cidade não deve ser votado este ano. Segundo o presidente da casa, Olímpio Bruno da Silva, o prefeito Francisco Carlim dos Santos não enviou a matéria com pedido de urgência.

Dessa forma, não haverá tempo hábil para a votação, já que os vereadores estão concentrados na aprovação do orçamento para 2009. O Hospital Nossa Senhora dos Navegantes também continua sem médicos devido ao atraso nos pagamentos, apesar de o prefeito ter prometido que o problema seria solucionado ontem.

O presidente da Câmara explica que o prefeito deveria enviar outro pedido de suplementação orçamentária, mas em caráter de urgência. “Ou não tem dinheiro ou ele (o prefeito) não quer pagar”, afirma.

O presidente da Câmara diz ainda que a falta de dinheiro também atingiu o Legislativo. Por mês, devem ser enviados à Câmara R$ 190 mil, mas o órgão vem recebendo apenas R$ 100 mil.

Enquanto isso, a população vem sofrendo sem atendimento de emergência e o único hospital da cidade não está recebendo pacientes. Estes estão sendo encaminhados para dois postos de pronto atendimento e para o Hospital Regional de Paranaguá. Carros e ambulâncias do município e cedidos pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) fazem o transporte.

A cidade também está praticamente sem atendimento eletivo, consultas com clínico geral e ginecologista, por exemplo. Vez ou outra algum médico aparece no hospital, mas não atende a todas as pessoas.

Adriele Ana Carneiro da Silva, 22 anos, está grávida de dois meses e havia marcado para ontem a primeira consulta do pré-natal. “Quando cheguei, o médico já havia ido embora”, conta.

O diretor da Primeira Regional de Saúde da Sesa, Paulo Roberto Zanicotti, diz que a situação em Matinhos é delicada. “A Secretaria de Estado da Saúde, por intermédio da regional, vem dando o suporte possível, embora a responsabilidade de atendimento em primeira instância é do município”, enfatiza.

Segundo ele, o secretário de Saúde de Matinhos, Jeferson Azevedo, esteve ontem em Curitiba e afirmou que conseguiu que médicos plantonistas atendessem durante o fim de semana na cidade. Mas até agora não foi encontrada qualquer solução definitiva.

O caos na saúde começou quando a entidade que intermediava a contratação dos médicos, a Organização para o Desenvolvimento Social e Cidadania (Ordesc), parou de receber da prefeitura em junho deste ano.

A dívida acumulada com a organização já está em R$ 300 mil. Segundo o Ministério Público em Matinhos, a promotoria vem acompanhando de perto a situação e, se não for resolvida, vai pedir a interferência da Justiça.

A reportagem de O Estado não conseguiu contato com o secretário de Saúde da cidade nem com o prefeito. A presidente do Conselho Municipal de Saúde, Zulmira Cioli, não atendeu ao telefone.