Foto: Aliocha Maurício
A igreja é um dos pontos turísticos da cidade e
recebe muitos visitantes.

Cinqüenta anos de história estão sendo danificados por vândalos, cupins e infiltrações. Essa é a realidade do Santuário São Benedito, na Lapa. O local foi construído entre 1947 e 1957 no lugar de uma capela usada pelos escravos e até hoje conserva a antiga imagem de São Benedito santo negro protetor dos escravos. A igreja, ponto turístico tradicional da cidade, recebeu o título de santuário esta semana por causa da importância histórica. No entanto, a comunidade católica pede ajuda da população e de empresários para restaurar e conservar o patrimônio.

O primeiro ponto problemático do santuário é o telhado. Do lado de fora já é possível ver a calha bastante corroída. Dentro da igreja há manchas no teto, fruto das infiltrações. O padre Emerson Lipinski, da Lapa, contou que as madeiras que ficam entre as telhas e o concreto estão podres por causa dos cupins e das infiltrações. ?E isso aos poucos vai danificando a estrutura da igreja. Por isso a temos pressa em arrumar?, explicou. Depois das reformas estruturais, o padre quer pintar o santuário, que tem capacidade para 1,2 mil pessoas sentadas, e cercar o local por causa do vandalismo.

?O que mais me entristece é o vandalismo?, lamentou. Quanto se trata de destruição, o padre refere-se principalmente aos vitrais da igreja. Muitos estão quebrados porque pessoas jogam pedras. O orçamento para consertá-los ficou em cerca de R$ 600 mil. Por isso o padre Emerson resolveu mandar um projeto para o Ministério da Cultura para conseguir a verba por meio da Lei Rouanet. ?Foi aprovado. Agora precisamos de empresários que nos ajudem?, contou. Além da restauração dos vitrais quebrados, que precisa ser feita por mão-de-obra especializada, o projeto prevê trabalhos com alunos da cidade para explicar a importância histórica do santuário e assim tentar evitar a depredação.

A obra toda de restauração foi orçada em cerca de R$ 1 milhão. A primeira iniciativa da comunidade católica para arrecadar o dinheiro foi organizar uma rifa. Eles conseguiram um carro, uma moto e uma geladeira para dar como prêmios e com a venda dos bilhetes estão tentando envolver a população da Lapa na causa. Por enquanto nenhuma empresa demonstrou intenção de ajudar. ?Mas nós começamos com o projeto de restauração este ano. Ainda temos esperança?, afirmou o padre Emerson. Além disso, ele contou que a igreja da Lapa está terminando uma obra de um museu em homenagem ao padre Henrique Fallars, que ficou 50 anos na comunidade.

Local abriga imagem de São Benedito para devoção

A imagem de São Benedito que está no santuário tem 60 centímetros e foi feita por Joaquim Antonio Souza Maia, conhecido na Lapa como Peteca.

A história conta que essa imagem estava em uma capela na zona rural da cidade e depois de uma forte chuva foi o único objeto que permaneceu inteiro. A partir daí considerou-se um milagre e começou a veneração ao santo, que foi levado para a capela onde é hoje o santuário.

A antiga capela foi construída por escravos. Historiadores apontam o local como um antigo pelourinho (local onde se castigava os escravos). ?Um senhor prometeu que, se o filho dele, que se afogou, se salvasse, construiria a capela?, contou o teólogo Juarez José dos Anjos, que trabalha na casa paroquial da Lapa. Segundo o teólogo, o santuário foi construído porque a cidade precisava de uma igreja maior e a matriz estava condenada.

A devoção por São Benedito é alimentada até hoje na Lapa, inclusive com uma festa que acontece todos os meses de dezembro. Anjos atribui parte disso à Irmandade São Benedito. ?Aqui já teve cinco irmandades e a única que ficou até hoje é de São Benedito?, afirmou. (AB)

Projeto de turismo

Além dos projetos de restauração,o padre Emerson e a comunidade eclesiástica local têm um projeto para organizar o turismo religioso da Lapa. O santuário e a Igreja Santo Antônio (igreja matriz) são muito procurados por turistas. Entretanto, a falta de acompanhamento e de informação estava trazendo problemas para a igreja. Por isso, o padre Emerson fechou as portas dos dois locais nos finais de semana em 2005.

A Pastoral do Turismo está treinando jovens e idosos voluntários que vão receber os turistas nos sábados e domingos, orientá-los e explicar a história dos templos no contexto histórico da Lapa.

?Queremos fazer um folder também para as pessoas irem com a Lapa para casa?, animou-se o padre. ?Vamos implantar o turismo religioso na Lapa. Seria uma alternativa de divulgação?, completou. A expectativa do padre é que a Pastoral já começa a funcionar em maio. (AB)