Santa Felicidade não se restringe aos restaurantes

Quando se fala no bairro de Santa Felicidade, em Curitiba, logo se pensa nos restaurantes italianos, motivo do intenso movimento turístico na região. Mas a localidade não é feita apenas disso. Existem diferentes segmentos, como móveis, artesanato, vinhos, artigos de pesca, jardinagem, construção civil, indústrias de tecido e clubes, que dão vida à Santa Felicidade. Por trás de tudo isso, há uma geração de milhares de empregos. Tudo com a mais pura tradição italiana.

A Associação do Comércio e Indústria de Santa Felicidade (Acisf) não possui dados de quantas pessoas, no total, estão empregadas com as atividades do bairro, mas aponta que a construção civil (especializada em condomínios horizontais) tem mais de cinco mil trabalhadores; o artesanato, mil funcionários, e os restaurantes, mais de três mil.

Para Eurico Borges dos Reis, diretor da Acisf, o comércio de Santa Felicidade está se desenvolvendo bem, mas de forma desordenada. A poluição visual é grande e os estabelecimentos mais recentes não seguem os padrões da arquitetura italiana da região. Além disso, a associação quer a revitalização da Avenida Manoel Ribas, principal via do bairro. Essas medidas podem incrementar o turismo e, conseqüentemente, incentivar o comércio e a geração de empregos. “Atualmente, o turista passa algumas horas em Santa Felicidade, no máximo um dia. Nós queremos que ele fique mais tempo”, comenta Reis. “O passeio é feito de carro. Com a revitalização, melhores calçadas serão construídas e os turistas poderão andar a pé, o que vai estimular o comércio da região”, avalia. A inauguração de um hotel na Avenida Manoel Ribas, em julho deste ano, também vai ajudar a alcançar esse objetivo, segundo o diretor.

A última intervenção urbanística em Santa Felicidade foi a construção da Via Vêneto, em 1985. A associação reclama que a Prefeitura de Curitiba e o governo do Estado não dispõem atenção ao bairro. “A região é o segundo pólo turístico do Paraná, perdendo apenas para Foz do Iguaçu. E todo o investimento foi para lá. Nós não recebemos nada para melhorar o turismo de Santa Felicidade”, afirma Reis.

Para ele, também é preciso melhorar as vias de acesso até a região, que atualmente se limita à Avenida Manoel Ribas, a Rua Antônio Scorsin e a BR-277. Os comerciantes ainda pedem a conclusão do Contorno Norte, que tiraria o tráfego de caminhões das ruas do bairro. “O bairro está se fazendo por si só. O esquecimento não é justo”, conclui o diretor da Acisf.

A associação também tem um projeto para melhor organizar as festas tradicionais do bairro, como a da uva e a do vinho. Os eventos serão organizados por profissionais e incluídos no calendário turístico municipal e estadual. “Com isso, não serão apenas os cidadãos de Curitiba que prestigiarão as festas. O planejamento vai garantir o sucesso do evento e atrair mais turistas”, acredita Reis.

Empresas ligadas a famílias

Segundo a Acisf, a maioria das empresas de Santa Felicidade é familiar, muito ligada com a tradição italiana. Elas investem o lucro no próprio negócio e no bairro, gerando desenvolvimento. Apesar da concorrência, as famílias procuram fazer parcerias para incentivar ainda mais o comércio.

Um exemplo é o dos Vinhos Durigan, um dos mais tradicionais de Curitiba. Depois de construir uma nova loja e uma imensa fonte, a família está reformando a área para abrigar um café ainda este ano. A intenção é atender o público que vai se hospedar no hotel, que será inaugurado em julho. “Nós também já estamos vendendo chocolates caseiros e vamos lançar novos vinhos”, comenta Frank Durigan, representante da terceira geração no comando da empresa. “Aqui tudo é feito em conjunto. Analisamos o comércio como um todo, mesmo com a concorrência”, afirma.

Ele acredita que o sucesso do negócio é a família. “Muitos dizem que empresas familiares não dão certo, mas há a confiança incondicional entre os familiares”, avalia. “Espero que meus filhos permaneçam no negócio”, diz Durigan. (JC)

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