Cerca de 60 pessoas seguem ocupando as dependências da Santa Casa de Foz do Iguaçu. São funcionários do hospital e seus familiares que invadiram o imóvel na tarde de quarta-feira para protestar contra a demissão de todos os funcionários, o atraso nos salários e o fechamento definitivo da instituição.
Alegando insolvência financeira (com uma dívida passiva superior a R$ 15 milhões), a Irmandade Monsenhor Guilherme, que administra o hospital, encerrou as atividades da instituição em janeiro deste ano e anunciou, no mês passado, a demissão de todos os 430 funcionários.
Sem receber salários há três meses, inclusive o 13.º, muitos funcionários não estão no hospital por opção, mas sim por falta de recursos para manterem-se em suas casas e, por isso, já levaram esposas e filhos também para as dependências da Santa Casa. Os manifestantes afirmaram que a ocupação é por tempo indeterminado e que só irão sair do prédio se houver um mandado judicial. A Irmandade entrou, ontem, com um pedido de reintegração de posse.
A Câmara dos Vereadores de Foz do Iguaçu já instalou uma comissão de inquérito para investigar esse rombo nos cofres da Santa Casa. Está marcada, para a tarde da próxima segunda-feira, uma audiência entre representantes dos funcionários e da Irmandade, na Justiça do Trabalho, em Curitiba, para se discutir os salários atrasados e as indenizações aos funcionários demitidos.
Em reunião fechada, na noite de ontem, os 25 membros da Irmandade Monsenhor Guilherme chegaram, por unanimidade, à conclusão que não há condições financeiras para reabrir a instituição e decidiram pelo fechamento definitivo da Santa Casa de Foz do Iguaçu. Em 10 dias, eles entrarão com pedido de insolvência e os contratos dos funcionários serão rescindidos, para que eles possam, ao menos, receber o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e o Seguro Desemprego.
Com o fechamento da Santa Casa, o sistema de saúde da cidade deve ficar sobrecarregado, já que há apenas outros dois hospitais na cidade. A Organização Mundial de Saúde recomenda que uma cidade tenha, no mínimo, um leito de hospital para cada 500 habitantes. Sem a Santa Casa, Foz do Iguaçu tem apenas 200 leitos, com uma população de cerca de 280 mil, a cidade fica com menos de um leito para cada mil habitantes.


