A Santa Casa de Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, segue interditada eticamente pelo Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR). Em janeiro deste ano, a entidade adotou a medida pela falta de médicos nas escalas de plantão e de condições de trabalho. Não há previsão para reabertura.

A Santa Casa continua com problemas para quitar impostos e obter a certidão negativa necessária para acessar recursos públicos. “Tem a pendência de R$ 87 mil em impostos. Falta apenas uma certidão negativa do INSS e Receita Federal”, diz o interventor do hospital, Joaquim Rauli. De acordo com ele, a atual administração está “correndo atrás” para conseguir cumprir tudo o que foi determinado na interdição. A Santa Casa passa por intervenção judicial há 17 anos.

A condição financeira do hospital se agravou em setembro de 2011, quando não conseguiu as certidões para receber os repasses mensais de R$ 80 mil da Prefeitura de Colombo. O resultado foi a piora nas condições de trabalho e falta de pagamentos aos médicos. Os funcionários receberam salários de janeiro e fevereiro. Não houve interrupção do vínculo, mas eles não estão indo trabalhar por falta de pagamento em março.

Uma possível saída, desde que o débito seja regularizado, é um convênio com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), que ofereceu um repasse de R$ 80 mil por mês para a folha salarial de médicos e R$ 1,2 milhão para reformas estruturais. Mas a oferta inclui participação na gestão, com a abertura total das planilhas financeiras.

O interventor da Santa Casa explica que está batalhando pelos projetos para a construção da Unidade de Terapia Intensiva e aprimoramento do Pronto Atendimento e do Centro Cirúrgico. “São seríssimas as dificuldades estruturais. Mesmo reestabelecendo o fluxo financeiro, é obrigatória a reforma para voltar a funcionar”, explica Matheos Chomatas, diretor da 2ª Regional de Saúde da Sesa. Também há problemas nos sistemas elétrico e hidráulico e na cobertura do prédio.

A Prefeitura de Colombo informou que aguarda a certidão negativa da Santa Casa. A população deve ir até os Prontos Atendimentos (Alto Maracanã e Osasco) e unidades de saúde. Pacientes em estado grave são encaminhados ao Hospital São Lucas, em Campo Largo. O CRM-PR comunicou que uma vistoria na Santa Casa foi realizada há quase um mês e que não houve mudanças no local. O conselho reiterou que a liberação do hospital, pelo quesito estrutural, vai depender da Vigilância Sanitária.