Tribuna Entrevista

Sandro Alex revela surpresa com convite de Ratinho Jr, cutuca Moro e diz que Paraná não pode dar um “cavalo de pau”

Sandro Alex (PSD), pré-candidato ao Governo do Paraná nas eleições de 2026. Foto: Divulgação / Rodrigo Félix Leal

Em um momento de transição no cenário político paranaense, o secretário de Infraestrutura e Logística, Sandro Alex (PSD), oficializa seu papel como potencial sucessor do projeto político do governador Ratinho Júnior. A indicação, que ganha corpo com o passar das semanas, coloca em evidência a estratégia de priorizar a entrega de obras estruturantes como principal argumento político.

A transição, descrita pelo secretário como uma convocação natural pelo desempenho à frente da pasta, reposiciona Sandro Alex de um papel de articulador de bastidores e executor técnico. O pré-candidato se auto classifica como “zagueirão” do time de Ratinho, mas quer vir a assumir o posto de “camisa 10” ocupado pelo seu padrinho.

Em entrevista exclusiva à Tribuna, ele não poupou críticas ao seu principal adversário, o senador Sergio Moro (PL), e falou sobre suas qualidades para tentar convencer o eleitor.

Confira a entrevista completa de Sandro Alex para a Tribuna.

Tribuna do Paraná: Por que querer ser governador do Paraná?

Sandro Alex: Eu trabalho desde o primeiro dia com o governador Ratinho Júnior, quando ele foi eleito. E caminho com ele há 20 anos, desde 2006, quando eu nem era político. Eu entrei na política ao lado dele por um projeto de transformar o Paraná. Por isso me tornei deputado federal (fui um dos mais bem avaliados do Congresso). Quando ele se tornou governador, me pediu que fosse para o governo com ele. Falei que eu não era gestor, mas ele queria meus conhecimentos jurídicos para ajudar a reconstruir o estado na Secretaria de Transportes. Estávamos num momento difícil, porque as obras estavam paralisadas em virtude das investigações na época. Não tínhamos nenhuma obra em andamento no Paraná. Então ele disse que ia investir pesado em infraestrutura, para transformar o estado em um hub de logística da América do Sul.

Tribuna do Paraná: Mas o senhor não é engenheiro.

Sandro Alex: Montei uma grande equipe, pois não sou engenheiro de formação, sou advogado. Só que o problema lá era jurídico mesmo, não era de engenharia. Para você construir uma ponte em Guaratuba levamos 1 ano, 11 meses e 29 dias. Para tirá-la do papel e fincar a primeira estaca eu fiquei 5 anos brigando judicialmente para demonstrar o quão importante era a obra para o estado do Paraná. Então, com a minha formação jurídica, eu pude defender e dar legalidade, celeridade e probidade aos processos que resgatamos. Fomos tirando os sonhos dos paranaenses do papel. E há 3 ou 4 semanas, o governador me chamou e disse: “A população reconhece o meu governo, mas são as obras o símbolo deste governo. Quero que você represente o time e seja a pessoa que vai dar continuidade ao meu legado”. Eu respondi que não era nem pré-candidato, que estava quieto, tocando as obras. E ele disse que reuniria o time para caminharmos todos unidos.

Tribuna do Paraná: O senhor falou que foi convocado há 3 ou 4 semanas. Foi isso mesmo? O senhor ficou surpreso?

Sandro Alex: Foi uma surpresa. Eu nunca procurei isso. Inclusive, divulgar o meu nome. As pessoas ainda se perguntam “quem é o Sandro Alex”. E elas têm razão. Eu sempre fui do time do Ratinho Júnior. Ninguém faz nada sozinho. Só faz quando você tem um grande time e é o time que realiza. Não é um projeto individual. Temos um grande líder, que criou um modelo novo para o Paraná. Mas eu não estava em campanha. Meus adversários estão há tempos. Eu estava preocupado em tirar obras do papel. Eles (outros cotados para sua posição) sabem que eu não tirei o lugar de ninguém. Eu não buscava isso, nunca pedi. Então foi surpreendente mesmo, não só para a população, mas para mim também. Se você pegar qualquer foto do Ratinho inaugurando obra, eu estava lá. Mas trabalhando, não fazendo campanha. Tem uma filosofia japonesa que fala que a vida não pode ter grandes rupturas, mas sim crescimento contínuo. Assim você faz grandes transformações. O primeiro governo do Ratinho foi de planejamento, o segundo teve uma velocidade de execução incrível e, se tivesse um terceiro, pode ter certeza que a população lhe daria outro mandato.

Sandro Alex (PSD), pré-candidato ao Governo do Paraná nas eleições de 2026. Foto: Divulgação / Rodrigo Félix Leal

Tribuna do Paraná: Há 20 anos entrevistei o Ratinho e ele disse que seu sonho era ser governador. E estamos aqui. Se o senhor começou junto com ele, qual era o seu sonho há 20 anos?

Sandro Alex: Fazer parte do time que iria transformar o Paraná. Eu sempre pensei em fazer parte de um time, então eu trabalhei muito para manter a unidade desse time.

Tribuna do Paraná: Zagueiro, volante, armador?

Sandro Alex: Eu acredito que fui um grande zagueiro. Eu estava na linha de defesa, trabalhando nas missões que o governador me dava, como me disse um dia: “Sandro, vamos ter que mexer na PR-280”. Era a pior rodovia do Paraná. Eu respondi que tudo bem, mas que não ia fazer um “tapa-buraco”. Eu queria reconstruir, com o melhor material disponível. Autorizado, buscamos o concreto. Nada superficial. Então o governo pegou uma balsa afundando, entregou uma ponte. Pegou uma estrada arrebentada, entregou piso em concreto. Não fizemos tudo que precisava, mas agora vamos avançar ainda mais. A população pode avaliar se o estado deve puxar o freio de mão e dar um cavalinho de pau, ou se vamos continuar executando este bom trabalho. Se para o Brasil se discute uma mudança, e eu acho que deveria ter, no Paraná não. E não sou eu quem acha, é a população.

Tribuna do Paraná: O senhor acha que a população já se deu conta de que temos eleição este ano?

Sandro Alex: Ela só não está mais atenta ainda por causa da Copa do Mundo. As pessoas não sabem que o governador Ratinho tem um pré-candidato chamado Sandro Alex. E nas pesquisas o governo é o mais bem avaliado do país. E é fácil perceber por quê. Pergunte para o povo se a vida deles melhorou ou não. Na hora de escolher o próximo governador, é nisso que a população vai pensar. E 70% ainda não escolheu o seu candidato e não sabe que o candidato do Ratinho é o Sandro Alex. Muitos acham até que ele apoia outros candidatos. Agora será a oportunidade de a população tomar conhecimento disso e os números das pesquisas vão se alterar. Elas são apenas retratos do dia. Nós não queremos começar uma eleição na frente, mas sim terminar na frente.

Tribuna do Paraná: E o senhor está preparado para aguentar essa pressão?

Sandro Alex: Eu tive uma experiência muito grande no Legislativo, quando eu fui deputado federal e do Conselho de Ética. Eu estava com a cassação do Eduardo Cunha na minha mão. Então a ameaça me moldou. Quando eu assumi a Secretaria (Infraestrutura e Transportes) eu fui para a gestão e ali, digamos que eu fui para a Champions League da política. Saí do Campeonato Nacional para a Champions. Ali a gente tinha que ter excelência na atuação, sem conversa, só trabalho. Tem que ter resultado, porque senão surge um monte de gente para reclamar. É importante, claro, mas é preciso entender sobre o que você está reclamando, sugerir um caminho.

Tribuna do Paraná: O senhor se orgulha de ser o realizador de obras do Ratinho. De ter sido o zagueiro deste time. Para fechar essa analogia com o futebol, o que o senhor acha que tem para oferecer para deixar de ser o xerifão da zaga e assumir a camisa 10, que é o posto de um governador?

Sandro Alex: Além do trabalho que eu realizei, a conduta que eu tive como gestor. Tem que ter capacidade, tem que ter competência, mas também tem que ter ética. E eu tirei do papel bilhões em obras sem ter um apontamento negativo sobre isso. Nós conseguimos tirar do papel obras que eu realizei junto ao Governo Federal, junto ao Ministério Público, Justiça Federal, Itaipu… grandes orçamentos de várias naturezas e projetos, tudo isso em dois governos diferentes, em que um odeia o outro.

Construímos um modelo de concessões que começou com Bolsonaro e terminou com Lula, e os dois consideraram que o Paraná tinha razão em fazer como fez, com transparência e redução no preço. Tudo isso requer ética, mas também simplicidade. Eu cheguei à Secretaria, abri a porta e nunca mais fechei. Eu segui um modelo do governador Ratinho. Aprendi a governar com ele. Participei de todo o planejamento estratégico, de todas as áreas. Eu fui o secretário que mais atuou junto ao Tribunal de Contas, MP estadual e federal. Isso me credenciou também a ter participado das decisões estratégicas, como na pandemia. Poucas áreas não pararam e o Porto de Paranaguá não parou 1 minuto sequer, e foi eleito 6 vezes o porto de melhor gestão no país.

Tribuna do Paraná: Apesar dos pontos que destacou, a infraestrutura do Paraná ainda tem alguns gargalos. Problemas difíceis de resolver? Tanto a população quanto o setor produtivo esperam respostas.

Sandro Alex: E a população tem razão, porque enfrentou 20 anos de mentiras. Nós começamos tudo isso do zero. Tivemos que reconstruir. Encerrar um contrato e iniciar uma discussão praticamente do zero numa nova concessão. Primeiramente, fizemos tudo com transparência, com o processo na Bolsa de Valores. Conseguimos uma redução no preço do pedágio se você considerar a inflação no período e o mais importante: naquela concessão não tinha nenhuma obra e nesta são R$ 90 bilhões em obras que já começaram e têm prazo de conclusão. Se eles não fizerem, trava a cobrança na cancela e vão perder o contrato. Então eles vão ter que fazer as obras, e dentro do cronograma.

Agora, se o estado do Paraná teve um crescimento econômico grande, já que dobrou o PIB, os desafios são maiores. Tínhamos uma malha rodoviária com infraestrutura dos anos 70 e 80. Então nós passamos a investir muito mais nessa área, não só nas concessões. O Estado aplicou um valor recorde. Se não tínhamos nenhuma estrada com concreto, hoje são mil quilômetros de estradas em concreto. Agora vamos abrir todo um corredor de produção de cooperativas. Temos que ter ampliação de capacidade, mais pontes, trincheiras. Estamos com o maior investimento de pontes da história. Não foi só Guaratuba, foram outras 200. Começamos a duplicação da BR-277, Palmeira/Irati/Prudentópolis, subindo a Serra da Esperança, e seguindo para Matelândia, Cascavel.

Tribuna do Paraná: Até hoje adversários criticam o modelo dos pedágios e concessões que o senhor construiu.

Sandro Alex: Os meus adversários dizem que agora eles querem rever, renegociar. Eles tiveram toda a oportunidade para fazer isso, mas se omitiram. Nós não vamos parar. Nós vamos seguir com mais obras. Temos certeza que fizemos tudo com transparência.

Tribuna do Paraná: E as ferrovias?

Sandro Alex: A malha ferroviária é uma discussão federal e nós não tivemos um senador sequer trabalhando por isso. Não sabemos se será renovado ou se farão uma nova concessão, mas sabe quem foi lá em Brasília discutir esse assunto? Senadores de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Eles não querem ficar de fora, querem puxar para os portos deles. Mas nenhum senador daqui apareceu para reuniões. A Ferroeste depende disso, depende do Ibama. E qual foi o senador que foi lá para ajudar na aprovação das licenças? A terceira pista do Aeroporto Afonso Pena. Por que não começou ainda? Falta um licenciamento, mas falta também um senador brigando por isso. Então o governo do Ratinho se destacou em algumas bandeiras federais, porque precisou agir como se o problema fosse dele. Não aguentamos ficar parado. Isso dá uma impressão de que tudo é responsabilidade do estado, mas pela total ausência de representatividade dos senadores junto ao governo federal.

Tribuna do Paraná: Mas tivemos investimentos de grande porte do governo federal no Paraná nos últimos anos.

Sandro Alex: Os grandes investimentos do Governo Federal aqui fui eu quem tirou do papel, ainda na gestão Bolsonaro. Eu fiz a segunda ponte Brasil/Paraguai, a duplicação da Rodovia das Cataratas, a Perimetral e a duplicação do contorno de Cascavel, a Estrada Boiadeira, com recursos da Itaipu. Sabemos das necessidades que nós temos na infraestrutura, que não é só a rodoviária. Tem a infraestrutura de energia também, porque se nós estamos dobrando o tamanho das cooperativas, claro que você vai ter que colocar serviços de excelência na distribuição de energia…

Tribuna do Paraná: Energia é um capítulo à parte, se me permite lhe interromper. Muitas reclamações sobre os serviços prestados pela Copel desde a privatização. O senhor foi favorável? Como avalia o serviço atualmente?

Sandro Alex: Você tem que ter a modernização do sistema. Era necessário você seguir evoluindo. Nós não tínhamos grandes investimentos, mas nós tínhamos uma economia estabilizada no Paraná e a Copel manteve os índices. Só que nós tivemos um crescimento, dobrando o PIB, e a Copel, que investia em uma subestação a cada 4 anos, precisa evoluir. E está. Atraímos bilhões em investimentos, cooperativas, e agora ao invés de uma em 4 anos, são 18 nos últimos dois anos. Para os próximos 4 anos, serão 50 bilhões. O volume de investimento para os próximos 4 anos é significativo, mas entendo que a população quer excelência, e isso que eu vou cobrar. Temos a obrigação de fazer isso. Hoje qualquer falha é mais visível, mas vamos continuar cobrando. Queremos um serviço de excelência e nós não abrimos mão desses investimentos. E eles estão fazendo. Os adversários dizem que vão rever, rediscutir. Não vamos permitir retroceder. Jamais.

Tribuna do Paraná: Alguma previsão de investimentos em outros tipos de energia?

Sandro Alex: O Paraná é um estado inovador e a Copel uma grande empresa. São vários projetos em desenvolvimento. Temos o serviço da Secretaria de Inovação, a serviço das nossas universidades estaduais do Paraná, e estamos sempre favoráveis à ampliação do uso de energias limpas. Tudo que será feito tem que ser em benefício da população, respeitando o meio ambiente e de forma sustentável. Também temos que olhar sobre como o dinheiro retorna do sistema, pois a cada R$ 10 que a gente paga na conta de luz, 8 ficam em Brasília e só 2 retornam ao Paraná. Então muitas vezes um senador vem falar do valor da conta, mas é um problema nacional. Tem que ter muita honestidade intelectual para tratar desse assunto, porque é um assunto que muitas vezes machuca a população.

Assim como o assunto das concessões rodoviárias. A gente vê muita demagogia por aí. Tem que ser tratado com seriedade e com visão, e a nossa visão é investimentos. Nós melhoramos a nossa concessão. Hoje nós temos mais de 3000 km concedidos e passamos a investir em regiões que precisavam de infraestrutura para se modernizar e levar industrialização e emprego. Mexemos no ramal da fome, que era a ligação de Guarapuava, Turvo, Pitanga. Colocamos concreto ali e agora as cooperativas já falam em um novo corredor de frango. E ainda assim o Ratinho foi lá e reduziu o IPVA ao menor do país. Com o valor economizado, ele pode passar 100 vezes “de graça” no pedágio. A população não é contra concessão. O que ela não quer é ser enganada.

Tribuna do Paraná: Essa sensação de ser enganada… o senhor usou a palavra “demagogia”, também “honestidade intelectual”, para justificar que muitas vezes as coisas não são como parecem. Mas também não falta mais transparência disso para o povo, uma melhor comunicação?

Sandro Alex: Na verdade acontece em toda eleição. A gente vê apresentações políticas que defendem essas bandeiras contrárias e o governo só tem a verdade ao seu lado. Claro que ninguém gosta de pagar imposto, a gente já paga muito no Brasil. Mas o povo quer pelo menos contrapartida daquilo que está pagando. Aí na eleição sempre aparece um super-herói, salvador da pátria. Mas eu não acredito em discurso bonito, tanto que sempre fui o secretário de menos conversa. O que importa é o resultado. A gente não é o que a gente fala, a gente é o que a gente faz. O que eu sei é que não quero mais ver uma batida de carros frontal na BR-277, numa rodovia simples. E isso não vai mais acontecer após a duplicação. O valor não é tão alto se você tiver contrapartida.

Sandro Alex (PSD), pré-candidato ao Governo do Paraná nas eleições de 2026. Foto: Divulgação / Rodrigo Félix Leal

Tribuna do Paraná: A redução do IPVA, algumas obras e outras medidas do governador Ratinho Júnior deixavam a impressão de que eram projetos mais com foco numa eventual candidatura à presidência, pois vão representar impactos significativos nos cofres do estado. Se for eleito, a saúde financeira do Paraná te preocupa?

Sandro Alex: O Paraná é o estado do Brasil com maior saúde financeira, e quem fala isso é o Banco Central. Hoje, se tivesse que pagar todas as suas dívidas, o Paraná poderia saldar este débito e continuar com investimentos. É uma gestão altamente eficiente. Nós temos hoje um estado com capacidade de investimento, mas nem sempre foi assim. Éramos dependentes do Tesouro Nacional para ter um financiamento, que nem sempre era aprovado. Mas passamos a atuar diretamente nos municípios, com obras estruturantes, creche, escola, maternidade, hospitais, moradias. O governo atraiu investimentos e fomentou sua própria economia. Não tivemos queda de arrecadação em nenhum momento. O governador Ratinho não está deixando problemas, está deixando um modelo de gestão que nós queremos dar continuidade. Não deixa um caixa negativo. Não tem nenhuma dívida, tem um legado.

Tribuna do Paraná: O senhor falou mais de uma vez sobre a atuação dos senadores e terá que contar com o apoio deles num eventual mandato. Como avalia os atuais e o que espera dos novos?

Sandro Alex: Eu analiso que o Senado é uma casa que representa o estado. Talvez a população não saiba, mas o senador é o fiscal do Executivo, formula leis e acompanha o orçamento. Tem que ter princípios. Os paranaenses têm clareza nos seus princípios, aqui a maioria é cristã, respeita a vida, a propriedade privada, liberdade econômica. É o perfil do paranaense. Então ele escolhe seus candidatos por este perfil. O que tenho me perguntado é se alguém tem visto um senador caminhando em algum município do Paraná. Ninguém vê. Eu estive por várias vezes em todos os órgãos como ANAC, INCRA, ANEEL, ANTT, vários órgãos federais, e nunca fui acompanhado por um senador do Paraná. Nunca vi isso em outro estado. Em todos os lugares eles até brigam entre eles, mas quando é para defender o estado, eles se unem. Aqui não vemos isso em nenhuma das bandeiras importantes para o Paraná. Temos, inclusive, senadores que adoram criticar o governo em assuntos que não lhes compete. Será uma boa oportunidade para a gente debater coisas importantes.

Tribuna do Paraná: Teremos uma renovação de duas cadeiras ou total?

Sandro Alex: Teremos 2 novos senadores, mas também acho que um senador deveria terminar o seu mandato. Deveria cumprir os 8 anos e não fazer trampolim. Um senador precisa de responsabilidade, é importante. É por isso que seu mandato equivale a dois mandatos de um deputado. Mas não é para ter mordomia, para usar de trampolim. É para poder representar o estado, sem ficar fazendo pressão política. O Senado é uma casa que precisa ter um pensamento de planejamento a médio prazo, por isso que são 8 anos.

E aí eu te pergunto e duvido que alguém consiga me responder: qual é o nome do suplente do Moro? Porque ele quer abrir mão do seu cargo para combater a corrupção e o PL no Paraná. Então que faça isso no Senado, pois aqui o PT não vai governar. Isso é função de senador. Mas quem vai, então, ficar no lugar dele? Ninguém sabe. Pode fazer uma pesquisa aí. (Nota da edição: o primeiro suplente de Moro é o advogado Luis Felipe Cunha e o segundo, o empresário Ricardo Guerra). Nos debates que vamos enfrentar vou falar justamente sobre isso, pois acredito na importância do Senado. Tem 30 deputados federais e 3 senadores para tratar de assuntos federais, não precisa de um governador.

Tribuna do Paraná: Muitos cenários políticos, de costura política, colocariam o senhor e o senador Sérgio Moro na mesma foto. Não é tudo meio maluco?

Sandro Alex: Não. Eu sempre fui um defensor do trabalho dele como juiz, porque inclusive quando ele era juiz eu fui o responsável pela prisão do Eduardo Cunha. Eu fui o único deputado que entrou na Lava Jato, ele me deu as provas e documentos que eu pedi, depois me cumprimentou pelo trabalho que realizei. Por 3 vezes ele me fez esses cumprimentos. Eu fui o voto decisivo na cassação do Eduardo Cunha. Mas tudo que ele prometeu fazer depois disso era não ser político. Mas ele virou e todos os seus processos foram anulados por suspeição. Ele foi o responsável pela soltura do Lula. E depois brigou com o Bolsonaro. Ele não terminou nenhum trabalho na vida dele. Nem como juiz, nem como ministro e agora não quer terminar como senador. E isso não é uma crítica, é constatação. Eu sempre busquei ter coerência na minha vida, naquilo que defendo e acredito. Eu fui um dos autores das 10 medidas de combate à corrupção, sempre apoiei o MP e ajudei a Justiça Federal. Votei no impeachment da Dilma, mas também no Temer. Isso é coerência. Não é só investigar o que lhe convém. Eu contesto a atuação política do Moro, mas sempre procurei ter respeito.

Tribuna do Paraná: Além de questões que são federais, como a entrada de facções criminosas no Paraná, a segurança nas ruas é um problema. A sensação de insegurança está presente na maioria das cidades. Quais são suas propostas para melhorar a segurança no Paraná?

Sandro Alex: Com comando, com investimento, tecnologia e inteligência.

Tribuna do Paraná: Mas isso todos prometem.

Sandro Alex: Mas nós estamos fazendo. Quando você fala em comando, nós temos hoje uma polícia que é respeitada pela população. Ela tem comando, o coronel Hudson conhece muito mais de segurança do que os senadores, e ele colocou isso na prática. Nós temos o número de criminalidade caindo. Temos índices de criminalidade menores. Temos que fazer uma comparação do Paraná do presente com o Paraná do passado. Hoje são R$ 8 bilhões em investimentos (ante R$ 2 bilhões no passado) em pistolas, metralhadoras, fuzis, equipamentos, carros… tudo isso colocado à disposição dos policiais. Tivemos diminuição de homicídios, mais elucidação de crimes. Tudo isso com a tríplice fronteira e o segundo maior porto do país, além de fazermos a conexão do Sul com o Sudeste. Tinha tudo para sermos o estado mais violento, mas não somos. Mas melhorar é uma missão para ser cumprida todos os dias. Mas nós temos bons números sim. Entre as capitais, Curitiba ainda tem uma sensação de segurança maior. Pessoas preferem vir para Curitiba ao invés de outras cidades…

Tribuna do Paraná: Mas temos que comparar Curitiba com Curitiba. Pergunta para alguém na rua se ele se sente seguro…

Sandro Alex: Temos que trabalhar sempre pela excelência, mas todos os dias vemos prisões, grandes apreensões, uso da inteligência. Nós temos uma polícia unificada. Trabalhamos de forma integrada e colhendo bons resultados, já que o Governo Federal ajuda muito pouco. Ano passado a Polícia Federal, por ordem do ex-ministro, tentou uma operação em São José dos Pinhais que foi um fiasco. Não deu certo. Seria muito melhor usar a nossa inteligência. Seguiremos enfrentando os desafios, mas temos bons números hoje em dia. Agora, o trabalho é diário. Não dá para alarmar a população. Tem alguns políticos que parecem querer trazer as facções criminosas para o Paraná. São brigas desnecessárias lá em Brasília que respingam aqui. Não estou querendo esconder nada, mas a segurança é um trabalho que precisa ser cumprido todos os dias. Tivemos muito investimento, mais efetivo na rua, estamos formando mais de 2 mil policiais, investindo na formação. E vamos continuar fazendo.

Sandro Alex (PSD), pré-candidato ao Governo do Paraná nas eleições de 2026. Foto: Divulgação / Rodrigo Félix Leal

O que dizem os citados

Citado mais de uma vez pelo entrevistado, o senador Sergio Moro, também pré-candidato nas eleições, não quis se pronunciar sobre as declarações.

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