Salvar os rios, a prioridade na capital

Recuperar seus rios. Esta é a principal meta ambiental de Curitiba para os próximos anos. A cidade, reconhecida nacional e internacionalmente pelo tratamento dado às questões ambientais, comemora o data de hoje, Dia Mundial do Meio Ambiente, buscando manter essa imagem. Segundo o diretor do Departamento de Pesquisa e Monitoramento Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente da cidade, Edson Reva, a cidade evoluiu muito no que diz respeito à preservação de áreas verdes. Não se pode dizer o mesmo dos recursos hídricos da cidade, deteriorados nos últimos anos.

Reva destacou que a política em relação às áreas verdes usada em Curitiba é bem protecionista, sendo a principal responsável pela fama de capital ecológica adquirida pela cidade. “As pessoas que conservam árvores e áreas verdes têm inclusive descontos no Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU)”, destacou Reva, lembrando que embora a legislação seja rígida, a cidade só obteve resultados nessa situação graças à parceria feita com a população.

O diretor explicou que o mesmo princípio de responsabilidade da população será utilizada na questão dos rios. “Através do programa Olho d’água estamos fazendo o monitoramento de 200 pontos em rios da cidade. Esse monitoramento é feito pela própria comunidade, que assim adquire um contato especial com os rios. Esse é o primeiro passo para se criar no futuro um vínculo de responsabilidade”, explicou Reva. Ele afirmou que o principal problema dos rios de Curitiba é o depósito de esgoto doméstico. “A situação de nossos rios é na média ruim. Alguns estão em bom estado, mas outros em péssimo. Comparando-se com o restante Brasil nossa condição ainda é boa, por isso queremos novamente sair na frente no tocante ao tratamento do esgoto”, afirmou.

Reva disse que em todas as questões ambientais, desde recursos hídricos, áreas verdes, coleta de lixo, etc., Curitiba só evoluiu graças à conscientização da população. “Nossa política de coleta de lixo reciclável, por exemplo, é modelo para outros. Entre 20 e 21% do lixo coletado aqui é reciclado”, disse o diretor.

Metas

Aproveitando a data de hoje, a Sanepar, empresa responsável pela água e esgoto de grande parte dos municípios do Estado, lança sua Agenda Ambiental. É uma série de metas internas a serem cumpridas pela empresa em relação à preservação do meio ambiente. A gerente de Meio Ambiente da Sanepar, Leane Chama Barbar Przybysz, afirmou que todas as ações feitas pela empresa devem prevenir impactos contra a natureza. “Além disso, estamos lançando hoje mais uma unidade do Ecomuseu. Desta vez, o espaço do antigo Reservatório Cajuru (caixa d’água da XV) será utilizado para desenvolver atividades junto às escolas no campo da educação ambiental”, afirmou.

Trilha Percepitva na Boca Maldita

Nesta Semana do Meio Ambiente, os curitibanos vão passear de olhos vendados por uma trilha que, de uma maneira diferente e divertida, vai contar um pouco da história da evolução da humanidade e os rastros deixados pelo avanço tecnológico. Na Feira do Meio Ambiente, de hoje a sexta-feira, das 10h às 19h, na Boca Maldita, o visitante poderá andar por uma Trilha Perceptiva explorando objetos com as mãos, ouvindo sons da natureza e percebendo o cheiro dos materiais.

“O objetivo desta trilha é promover a educação ambiental de uma maneira diferente, sem usar a visão. É uma proposta vivencial, que faz com que as pessoas percebam e valorizem mais os demais sentidos, os sons, os aromas, que muitas vezes passam despercebidos com a correria do dia-a-dia”, explica o secretário municipal do Meio Ambiente, Ibson Campos.

A trilha terá 30 metros de extensão que serão percorridos pelos visitantes de olhos vendados. Eles serão guiados em todo o caminho por uma corda, ao longo da qual haverá 16 nós. Cada nó será uma parada, onde o participante vai encontrar objetos que representam uma etapa da evolução do homem no planeta.

“Queremos mostrar o caminho da humanidade e as boas marcas que estamos deixando. Percebendo os objetos, sons e aromas, o participante vai entender a história que está sendo contada pela trilha”, orienta a gerente de Educação Ambiental Leny Toniolo.

A Trilha Perceptiva foi criada por um grupo de Educação Ambiental da Universidade Livre do Meio Ambiente. Na própria Secretaria Municipal do Meio Ambiente existe uma trilha similar à que será apresentada na Feira do Meio Ambiente. “Recebemos crianças de escolas, grupos da Terceira Idade, portadores de necessidades especiais, todos que quiserem”, informa Oliveira, que foi um dos criadores da trilha.

Quem estiver interessado em levar um grupo para conhecer a trilha, pode agendar com Oliveira pelo telefone 350-9206.

 

 

PR ganha quatro parques

O governador Jaime Lerner assina hoje, às 11h, no Palácio Iguaçu, decretos que criam quatro parques e ampliam as áreas de duas unidades de conservação. Os novos parques são: Pico do Paraná, Ilha do Mel, Professor José Wachowicz e Serra da Baitaca (Anhangava). Juntas, as áreas garantem a preservação de mais 7,8 mil hectares de ecossistemas de florestas atlântica e de araucária. O Paraná passa contar com 1,18 milhão de hectares de áreas protegidas, que somadas às de domínio federal totalizam 2,2 milhões de hectares.

Os novos parques

Pico Paraná: Descoberto pelo geólogo Reinhardt Maack, o Pico Paraná é a montanha mais alta do Sul do País, com 1.898 metros. Está localizado na Serra Ibitiraquire, que em tupi-guarani significa Serra Verde. Com mais de 4 mil hectares, o Parque Pico Paraná faz parte do conjunto da Serra do Mar.

Serra da Baitaca: Da Serra da Baitaca faz parte o Morro do Anhangava. considerado o mais importante “Campo Escola” do montanhismo paranaense. Distante 25 quilômetros de Curitiba, o seu cume está a uma altitude de 1.420 metros. Também ficam naquela área grande parte dos mananciais que abastecem a Região Metropolitana de Curitiba.

Ilha do Mel: Composta por Floresta Atlântica, 338 hectares da porção sul da Ilha do Mel, se transforma em Parque Estadual. Este parque soma-se à Estação Ecológica. Juntos, essas unidades preservam 95% da Ilha do Mel.

Professor José Wachowicz: Com área de 119 hectares, no município de Araucária, abriga o mais importante remanescente original da Floresta de Araucária da Região Metropolitana de Curitiba.

US$ 15 milhões para 63 cidades

Pela primeira vez em sua história, o Fundo Mundial para o Meio Ambiente do Banco Mundial (Bird) liberou recursos diretamente para um Estado. O repasse, no valor de US$ 15 milhões, virá para o Paraná, através do Acordo de Doação assinado no último dia 29, em Washington, pelo governador Jaime Lerner e o presidente do fundo, Mohamed El-Ashry.

A verba será investida no Projeto Paraná Biodiversidade, criado para a preservação e recuperação da fauna e da flora do Estado. O investimento será feito prioritariamente em três corredores: Araucária, Iguaçu-Paraná e Caiuá-Ilha Grande. A área do projeto inclui diretamente sete unidades de conservação e 280 microbacias hidrográficas, distribuídas por 63 municípios.

Com o programa da biodiversidade, o governo busca a integração entre os principais remanescentes dos ecossistemas paranaenses. Para isso, reúne ações públicas e privadas, direcionadas ao uso sustentado dos recursos ambientais, garantindo sua conservação e recuperação onde for necessário. Os eixos estabelecidos como áreas prioritárias são faixas ao longo dos grandes rios do Estado:Iguaçu, Paraná, Paranapanema, Tibagi, Ivaí e Piquiri e seus principais afluentes.

Ribeirinhos são retirados

Mais de 1,5 mil famílias já foram retiradas de áreas de mananciais e levadas para quatro loteamentos na Região Metropolitana de Curitiba (RMC) nos últimos anos. Elas ficaram livres dos riscos de enchentes, além de diminuírem a possibilidade de poluição nos rios. Essa é uma das ações desenvolvidas pelo Programa de Saneamento da Região Metropolitana (Prosam), organizado pela Coordenação da Região Metropolitana (Comec). O coordenador do Prosam, Gil Polidoro, explicou que várias ações como está já foram feitas desde 1995, quando, após empréstimo do Banco Mundial, o programa começou a funcionar. “Nas regiões rurais, por exemplo, começamos a fomentar a agricultura orgânica, criamos tanques de piscicultura, que evitam enchentes na cabeceira do Rio Iguaçu, além de desenvolver um trabalho de eliminação da poluição causada por agrotóxicos”, explicou. “Criamos em parceria com a Defesa Civil e o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) um projeto especial para prevenção de acidentes com cargas perigosas”, destacou.

Polidoro afirmou que os quatro próximos projetos do Prosam envolvem o zoneamento do uso do solo na área do Aqüífero Karst, a implantação de um novo conceito da lei de recursos hídricos, a criação de um sistema de informações geográficas e o Plano de Desenvolvimento Integrado (PDI). (LM)

Multa financia ambientalistas

Paraná é o primeiro Estado do País a financiar projetos ambientais apresentados por organizações não-governamentais e prefeituras, com recursos do Fundo Estadual do Meio Ambiente. Foram aprovados 43 projetos pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente, no final de 2001, o que totaliza uma carteira de investimentos próxima de R$ 3 milhões. Os projetos abordam vários temas, como educação ambiental, pesquisas científicas, recuperação e conservação ambiental.

O Fundo Estadual do Meio Ambiente, onde são depositados os recursos arrecadados com multas aplicadas pelo IAP, foi criado no final de 2000. O fundo financia programas e projetos de recuperação e conservação ambiental. Diferente do Fundo Nacional de Meio Ambiente, o fundo paranaense gerencia a totalidade dos valores recebidos pelas multas aplicadas.

Filmes e cartões ecológicos

A Biblioteca Pública do Paraná comemora o Dia Internacional do Meio Ambiente, hoje, com a exibição do filme brasileiro Tainá Uma Aventura na Amazônia, no auditório Paul Garfunkel, às 15h, com entrada franca. Amanhã, no mesmo horário, mostra Amazônia em Chamas, baseado na história do seringueiro Chico Mendes. A entrada é franca.

Direção de Tânia Lamarca e Sérgio Bloch, com Eunice Baía, Jairo Mattos, Betty Erthal, Tainá Uma Aventura na Amazônia conta a história de uma índia órfã de oito anos, que vive na Amazônia com seu avô Tigre. Ela precisa ajudar o macaco Catu, quando este é perseguido pelo traficante de animais Shoba. Para isso conta com a ajuda de Joninho, de 10 anos, acostumado à vida na cidade, mas que aprende a gostar da vida na floresta.

Amazônia em Chamas, de 1994, com direção de John Frankenheimer, tem no elenco Raul Julia e Sônia Braga. Baseia-se na história de Chico Mendes, seringueiro e ambientalista que dedicou sua vida a lutar contra a exploração dos trabalhadores e o desmatamento da Floresta Amazônica, e foi assassinado por pistoleiros.

Cartão ambiental

A Brasil Telecom Paraná lançará hoje, em cerimônia às 11h, no 2.º andar da Prefeitura de Curitiba, cartões telefônicos com mensagens ambientais, em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente. Até agosto serão lançados seis cartões com estampas diferentes. Cada modelo terá uma tiragem de 200 mil unidades e trará uma mensagem sobre o conceito dos 6 Rs que devem ser seguidos para uma redução do impacto dos resíduos no meio ambiente Respeitar, Reutilizar, Reduzir, Recuperar, Reciclar e Repensar. Neste mês, serão lançados os cartões com as palavras Respeitar e Reutilizar.

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