O inverno que começa às 19h34 desta segunda-feira (20) promete ser mais rigoroso que os dos últimos dois anos, de acordo com o Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), e pede cuidados extras com a saúde. Com as baixas temperaturas, as pessoas têm a tendência de ficarem aglomeradas em locais pouco ventilados, o que contribui para a maior circulação de agentes causadores de doenças.

“A transmissibilidade de vírus influenza e de vírus do resfriado acaba sendo facilitada”, alerta o médico pneumologista e professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) João Adriano de Barros.

Uma consequência das infecções virais é a queda da imunidade, o que pode levar a complicações bacterianas, diz o médico. Ainda se recuperando de uma gripe ou resfriado, os mecanismos de defesa do corpo baixam a guarda, e dão margem para que bactérias causadoras de pneumonia, amigdalite, sinusite e otite, por exemplo, “façam a festa”.

As alergias são outra implicação dos hábitos humanos. “O uso de cobertores e casacos que estavam guardados há muito tempo, com pó e mofo, provoca irritação das vias aéreas, e pode causar sintomas de asma brônquica e rinite alérgica”, afirma Barros.

As próprias questões climáticas, explica o especialista, também desencadeiam reações. O corpo tenta se adaptar à baixa temperatura dilatando as veias do nariz, uma medida para que o ar entre mais quente e mais úmido. Quando a dilatação é exagerada, a mucosa nasal incha e o nariz entope. A concentração de sangue no local gera a coriza ou nariz escorrendo, em bom português.

As variações intensas de temperatura, a umidade relativa do ar mais baixa e a poluição atmosférica mais próxima da população devido ao fenômeno da inversão térmica, que ocorre quando uma camada de ar quente encobre uma cama de ar frio posicionada sobre um centro urbano, aprisionando os poluentes resultam em sintomas de rinite e bronquite, tosse, pele seca, olhos irritados e conjuntivite.

Cuidados

Uso excessivo de aquecedores resseca o ar e irrita vias aéreas. Foto: Arquivo

As precauções para que o inverno não castigue tanto a saúde devem começar bem antes das temperaturas caírem, indica o médico. “Tome a vacina da gripe. Também existe vacina contra a pneumonia, recomendada principalmente para idosos e pessoas com doenças crônicas.” Antes do uso, lave todos os casacos e cobertores que estavam guardados, para prevenir reações alérgicas.

Evitar aglomerações de gente e ventilar os locais, mesmo que esteja frio, reduz a circulação de vírus. “Tome cuidado com o uso excessivo de aquecedores, que ressecam o ar e irritam as vias aéreas. E tome muito líquido, no mínimo dois litros de água por dia”, ressalta Barros. Também valem as dicas básicas para uma boa qualidade de vida: se alimentar e dormir bem, evitar estresse, álcool e cigarro.

Alimentação

A dieta diária traz reflexos diretos na imunidade. Para que o seu corpo tenha o potencial de combater doenças, uma alimentação balanceada é fundamental, diz a nutricionista Emanuele de Araújo Valentim. “Uma dieta saudável contém todos os grupos alimentares: carboidratos, que dão energia; proteínas, que atuam na produção de células de defesa; vitaminas e minerais”, afirma. O recomendado é fazer seis refeições por dia, com porções adequadas à sua necessidade energética e à sua faixa etária.

Para quem não gosta de salada no frio, é importante consumir verduras e legumes de outras formas, por exemplo, em sopas ou refogados. “Opte por cortes de carne magros, sem gordura aparente, ,e carboidratos integrais, como pão e arroz, pois as fibras auxiliam no bom funcionamento do intestino e no controle do diabetes”.

Reforçar o consumo de vitamina C é uma boa medida para evitar gripes e resfriados. “Frutas cítricas, como a laranja, mexerica, limão, morango e abacaxi são ricas em vitamina C”, aponta a nutricionista. “Caso ache difícil comê-las, opte pelo suco”.

Outra dica é não esquecer a ingestão de líquidos. “Beba bastante água e, caso opte por chás, controle a quantidade de açúcar. O ideal é sem”, ensina a nutricionista.

Inverno padrão

Foto: Antônio More

Neste ano, o frio deve chegar para valer. De acordo com o meteorologista do Simepar Samuel Braun, a tendência para 2016 é que o inverno seja mais típico que nos dois últimos anos, quando não houve frio “de verdade”.

“O El Niño (aquecimento das águas do Pacífico) está perdendo força, e o oceano está numa condição normal, com tendência de resfriamento para os próximos meses. Vamos entrar em uma La Niña (resfriamento das águas do Pacífico) ao longo do inverno, dessa forma, esperamos que a estação seja mais rigorosa, possivelmente com temperaturas próximas às médias históricas para os meses de junho, julho e agosto”.

Em Curitiba, as mínimas devem ficar, na média, entre 9ºC e 11ºC, e as máximas, entre 19ºC e 21ºC. “Dentro da estação, poderá haver valores mais baixos. Haverá maior frequência de ondas de frio atuando no Paraná, o que nos leva a uma situação de frio mais recorrente”, afirma Braun.

Há a possibilidade de veranicos. “Embora seja difícil antecipar, possivelmente ao longo de agosto nas regiões Norte e Noroeste, onde ficam Londrina e Maringá, ocorram sequências de dias mais secos e quentes.”

Chuvas

O início da estação deve ser úmido, com chuvas acima da média que é de 110 mm para junho e julho. “A partir de agosto, que tem média de 75 mm, o inverno deve ser mais seco.”

Geadas

O indicativo do Simepar prevê até três geadas para o Norte do estado, e de cinco a sete geadas para o Sul. Na região de Palmas e General Carneiro, a média das temperaturas mínimas pode ficar entre 7ºC e 9ºC.