O estabelecimento de um limite para as propriedade rurais será uma das bandeiras levantadas pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), durante a 21.ª Romaria da Terra do Paraná, amanhã, como forma de combater as desigualdades no campo e a fome. No sul do País as propriedades poderiam ter no máximo 720 hectares e no norte 3 mil. O restante seria redistribuído para a população. A idéia já virou projeto de lei, que está parado no Congresso. A romaria será realizada na cidade de Tamarana, uma das mais pobres do Estado, com expectativa de reunir cerca de 30 mil pessoas.
O tema este ano será ?Sem fome e opressão: a aliança com os pobres é libertação?. Segundo o bispo auxiliar de Curitiba, D. Ladislau Biernaski, cerca de 35,11% das pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza no Estado moram na zona rural. A renda per capita é de R$ 115. Outro dado preocupante no Paraná é que 90% das propriedades rurais são familiares. Juntas, elas detêm 55,7% das terras, empregando 83% da mão-de-obra. Mas os outros 10% dos estabelecimentos detêm 44,3% da área total e empregam apenas 17% do pessoal ocupado. São eles que também ficam com 40% do lucro obtido no Estado.
O assessor da CPT, Jelson Oliveira, explica que os problemas do campo são fruto do modelo econômico adotado, que privilegia o agronegócio. Segundo Jelson, o montante de verba destinada aos pequenos agricultores chega a ser insignificante diante do que os grandes agricultores recebem. ?No entanto, são eles que produzem entre 70% e 80% de tudo o que se come no País. Hoje os pequenos agricultores estão todos endividados?, denuncia.
A pobreza do campo também se reflete nas cidades. Sem alternativas, muita gente deixa a zona rural para buscar emprego na zona urbana, engrossando os bolsões de pobreza. Uma das alternativas defendidas pela CPT é a reforma agrária. ?Se os 100 milhões de alqueires de terras que foram griladas e continuam sem documentação fossem destinadas para o programa, daria para assentar um milhão de famílias?, afirma Jelson.
A CPT também defende o estabelecimento de um limite para as grandes propriedades. No sul elas não poderiam passar de 720 hectares. O restante deveria ser redistribuído entre a população. A forma como o processo ocorreria ainda deveria ser discutido. ?Nós defendemos que ocorra sem indenizações. Mas o projeto ainda precisa ser debatido?, diz D. Ladislau, citando que na Polônia o modelo deu certo. O bispo auxiliar afirma também que outro problema que emperra a reforma agrária são os índices que estabelecem se uma propriedade é produtiva, que estão muitos defasados. Além disso, as terras em desacordo com a legislação ambiental e onde há trabalho escravo deveriam ser destinadas para a reforma, mas a legislação não vem sendo cumprida.
O religioso cobrou ainda a união da população para pressionar o governo para resolver os problemas do campo, lembrando que o legislativo e judiciário também são responsáveis.


