Uma audiência marcada para hoje (22), às 16h, no Ministério Público Federal (MPF), vai buscar uma solução para pôr fim à invasão, na tarde da última segunda-feira (20), da sede da Associação de Defesa do Meio Ambiente de Reimer, em Curitiba, por um grupo de cerca de 20 indígenas do interior do Paraná. Eles mantêm reféns três funcionários e o presidente da organização não-governamental, Eduardo Zardo.

Os índios querem a liberação imediata de R$ 1,6 milhão, valor referente a última parcela do mês de dezembro de 2008, destinada a programas de saúde de 46 aldeias paranaenses, onde vivem aproximadamente 12 mil indígenas. A Reimer administra a verba, repassada pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa), e é responsável pela distribuição de medicamentos e compra de alimentos que combatem a desnutrição infantil nas aldeias.

O cacique Neoli Olíbio, da aldeia kaingang Boa Vista, no município de Laranjeiras do Sul, disse à Agência Brasil que um impasse burocrático entre Funasa e a ONG atrasou a liberação da verba. Com isso, segundo ele, os fornecedores estão sem receber desde o começo do ano e médicos, enfermeiros e agentes de saúde também estão com salários atrasados.

“Pessoas que tomam medicamentos de uso contínuo estão com sérios problemas de saúde”, disse o cacique. Ele disse que há suspeitas de que a associação desviou recursos da Funasa, o que deverá ser apurado pelo MPF. O presidente da associação alega que o repasse dessa parcela não foi feito pela Funasa, que ainda analisa os relatórios técnicos enviados para prestação de contas.

De acordo com o coordenador da Funasa no Paraná, Geraldo de Castro, a documentação analisada até agora apresentou “sérias deficiências” e foi enviada ao departamento competente do órgão, em Brasília. Para ele, a ONG deveria ser questionada sobre a aplicação da parcela de R$ 4,2 milhões do convênio, repassada em agosto do ano passado.

“Deveriam mostrar, inclusive para a imprensa, para serem transparentes, os extratos de como esses recursos foram utilizados, qual foi a finalidade do convênio.” De acordo com Castro, há muitas informações contraditórias.

O cacique Neoli Olíbio disse que ainda virão mais indígenas do interior para reforçar a mobilização. Segundo ele, o grupo vai permanecer nas dependências da associação, de forma pacífica, até que uma solução seja apresentada. “Na sexta-feira, termina o contrato dessa ONG com a Funasa e assume outra instituição, o Projeto Rondon, temos que estar com tudo esclarecido.”