Transformação ágil, impacto social e metas de crescimento global marcam a fase atual da Neodent, empresa fundada em Curitiba e que hoje atua em 100 países do mundo. Em entrevista exclusiva à Tribuna do Paraná, o executivo Alexei Troyano Costa, presidente da empresa e vice do Grupo Straumann para a América Latina, contou um pouco mais sobre que move a empresa, que de 2024 para 2025 teve um salto de 15% no seu faturamento anual.
Alexei faltou sobre o impacto social que a empresa promove para clientes, colaboradores e sociedade em geral, ajudando a devolver autoestima e saúde mental a quem busca seus serviços Com inovações como a “carga imediata” e o fluxo digital, a Neodent reduziu tratamentos que duravam meses para até dois dias, aliando alta qualidade nacional a preços acessíveis.
Impulsionada pela inauguração de sua terceira fábrica em Curitiba, a Neodent prevê a geração de mais 2.000 empregos nos próximos cinco anos, somando 5.000 colaboradores no Brasil. A empresa aposta no investimento contínuo em qualificação profissional e na formação técnica local, capacitando tanto a equipe interna quanto moradores do entorno.
Com 55% da produção destinada ao mercado externo e presença em 100 países, a Neodent projeta uma sólida expansão internacional rumo aos Estados Unidos, Europa, América Latina e China. O executivo reforça que, como menos de 10% da população mundial que necessita de implantes possui acesso ao tratamento, o potencial de mercado é gigantesco.
Confira a entrevista completa:
Tribuna do Paraná: Se o senhor encontrasse uma pessoa que nunca ouviu falar da Neodent, como você apresentaria a empresa para este desconhecido?
Alexei Troyano Costa: Eu vou fazer o que eu faço com meus filhos, quando um deles me pergunta o que faço no meu trabalho. Pois tudo que faço aqui tem a ver com o propósito da Neodent. É uma empresa nacional — e isso é um orgulho para todos nós ver uma empresa nacional chegar onde a Neodent chegou — que tem por missão melhorar a vida das pessoas. Pode parecer superclichê isso, que todo mundo fala, mas realmente a gente sente que trabalha aqui para deixar a vida das pessoas melhor. E como? Nós realmente transformamos o sorriso de uma pessoa ainda na cadeira do dentista. Eu sempre convido quem ainda não viu a vir me acompanhar em uma cirurgia e ver de perto esse milagre. Lutamos para que a pessoa tenha mais qualidade de vida.
No “mundo médico” você vê isso acontecer devagar muitas vezes, como em tratamentos longos. Aqui a transformação é muito rápida. Aqui o paciente chega com um problema, com uma dor, se senta na cadeira e, quando ela sai, pega o espelho e olha a transformação na hora. Pode haver um desconforto durante o processo, mas o sorriso vem automaticamente. Cada funcionário, cada pessoa que trabalha aqui, entende muito bem esse propósito. A Neodent produz materiais odontológicos que o dentista usa para mudar a vida das pessoas. Não só o sorriso, mas também a autoestima, a saúde mental e o posicionamento social das pessoas. É saúde, o que é realmente melhorar a vida das pessoas e criar sorrisos assim; então, a Neodent produz materiais odontológicos.

Tribuna do Paraná: Essa transformação vai muito além do sorriso como um belo cartão de visitas. Essa preocupação também está entre as missões da empresa?
Alexei Troyano Costa: Sim, desde que a empresa foi criada. Ela nasceu com esse propósito de democratizar a implantodontia para as pessoas, para que tivessem mais acesso a implantes e, em consequência, vissem seus sorrisos reconstruídos. E quando a pessoa tem um sorriso, os dentes na boca da maneira correta, ela se alimenta melhor, tem uma vida mais funcional. Como você disse, se a pessoa não tem o cartão de visita, ela não socializa direito. E, no momento em que ela não socializa, ela começa a se enclausurar e sente os efeitos em sua saúde mental; aí entra a questão da depressão. E quando tem um bom sorriso, muda tudo com quem está ao redor, a autoestima melhora e ela volta a socializar e a sorrir livremente. Ela pode dar uma gargalhada sem ter vergonha.
Tribuna do Paraná: Como vocês medem a satisfação desses clientes, inclusive essa melhora na saúde mental?
Alexei Troyano Costa: Na vida das pessoas, após o implante. A gente tem o testemunho de muitos pacientes que a gente trata de maneira solidária. Só o nosso caminhão do projeto Expedição Novos Sorrisos já atendeu 13 mil pacientes, fora que toda terça e quinta realizamos cirurgias de graça com o doutor Geninho Thomé (fundador da empresa) e o Ilapeo (Instituto Latino-Americano de Pesquisa e Ensino Odontológico). A gente faz esses trabalhos sociais e os testemunhos são emocionantes.
Tribuna do Paraná: Como gestor, o senhor costuma ir para o chão de fábrica entender o processo da empresa?
Alexei Troyano Costa: Eu tenho na minha cabeça que tenho que estar onde as coisas acontecem, porque senão eu não vou entender o negócio. Não vou entender o que é necessário para que a gente possa dar um suporte ainda melhor para o cliente. Então, visita o cliente. E quem são eles? São os dentistas. Vendo a operação, vendo eles trabalhando junto com os pacientes, vendo isso acontecer, eu posso entender melhor como a Neodent dá um suporte melhor. E tenho que ir na fábrica. Lá na fábrica preciso ver quem produz os implantes, quem embala esse produto, quem faz a logística, o time de vendas, como é o relacionamento com os clientes, com as entregas. Eu preciso conhecer todo esse processo e sempre busco participar um pouco de cada um deles. Tento estar com as pessoas até para entender como o pessoal do chão de fábrica pode trabalhar melhor. Como eu posso mudar algumas dinâmicas da empresa junto com o meu time direto de liderança, para que essas pessoas possam fazer seu trabalho melhor.
Tribuna do Paraná: Recorda-se de alguma experiência que tenha lhe tocado?
Alexei Troyano Costa: A parte social para mim é o que mais mexe comigo, é o que mais me dá energia para ter essa paixão por trabalhar, de fazer o melhor. Acordar todo dia e dormir com essa sensação. Tenho dois testemunhos ligados a essa parte social. Um foi quando conheci o caminhão da expedição Novos Sorrisos. Eu queria estar com o caminhão junto com o motorista. Queria entender como era a rotina, o trajeto, quais as dificuldades e expectativas, direto com quem está lá. Então eu fiz o trajeto de Anápolis (GO) até Brasília. Foram 300 km junto com o motorista, vendo tudo acontecer. A preparação do trajeto, a organização, os problemas. Aliás, eles tinham um problema de conectividade e instalamos uma Starlink no caminhão para melhorar a comunicação, não só pela segurança deles, mas para seguir o trabalho com mais eficiência. Recentemente — acho que este foi o ponto alto do projeto —, foi quando a gente foi para a Amazônia. A gente queria chegar em todos os estados brasileiros, mas na Amazônia um caminhão não chega à comunidade que a gente queria visitar. Então fizemos uma parceria com o Barco Sorriso para chegar aos locais onde as pessoas precisavam de assistência. Foram 15 horas de barco partindo de Manaus, vivendo diretamente aquelas dificuldades e desafios, junto com os voluntários. Chegamos ao local com 1 tonelada de equipamentos, montamos os consultórios numa escola e fizemos desde simples orientação até tratamentos de canal e próteses para uma comunidade de 400 pessoas. Poder fazer tudo isso não tem preço. Você entende o propósito da empresa na pele.
Tribuna do Paraná: Tem alguns tipos de retorno que não dá para mensurar, mas como essas ações impactam no orgulho dos colaboradores em trabalhar na empresa?
Alexei Troyano Costa: Estamos justamente na época do ano de responder a pesquisa de satisfação e tem várias questões relacionadas a isso. E o nosso resultado parcial é um dos melhores da companhia no mundo. Isso é muito Neodent. As pessoas têm uma paixão muito grande por fazer parte desta empresa e a parte social é o que mais pega as pessoas. Falando da parte social, a maioria dos colaboradores é apaixonada pela empresa pelo que ela devolve para a sociedade. Lá na fábrica, no CIC, a gente faz trabalhos sociais para a comunidade que é moradia para a maioria dos trabalhadores. Então a gente faz trabalho para a família deles, para os filhos, para as esposas, para os maridos, para todos que trabalham ali, com projetos de formação profissional e de formação do cidadão através do esporte. Então as pessoas são muito engajadas e reconhecem muito o esforço que a empresa faz em retribuir para a sociedade aquilo que ganha.
Tribuna do Paraná: E qual é o diferencial da empresa em termos de produto? Qualidade, preço?
Alexei Troyano Costa: Isso vem lá do Dr. Geninho Thomé. Começou lá quando ele decidiu fundar a empresa. Ele já era especialista em implantes dentários, mas no Brasil só havia implantes importados. Muito caros, como tudo importado no Brasil. Com os implantes não era diferente. Caros e com acesso a só uma parte da população. E ele dizia: “Poxa, isso aqui tinha que servir para muito mais pessoas. Tem muito mais gente precisando”. E ele decidiu fazer algo local. Só que fazer esse algo local de uma qualidade tão boa quanto o importado — ou até melhor —, com um preço muito mais acessível. E foi justamente o que ele fez. A empresa passou a fazer implantes tão bons ou até melhores do que os importados, com um nível de qualidade alto e com um gerenciamento de processo de custos baixos, que permitisse cobrar esses preços mais baixos que os importados. E foi isso que fez a empresa crescer tão rápido e ter o volume de produção que tem no Brasil hoje. Hoje a Neodent está em 100 países, levando qualidade e preços justos, permitindo o acesso das pessoas aos implantes, democratizando a implantodontia.
Tribuna do Paraná: Isso se deu pelo pioneirismo da empresa?
Alexei Troyano Costa: Pioneirismo, pesquisa e busca de soluções que mantivessem um nível de qualidade alto, mas também acessíveis economicamente.
Tribuna do Paraná: Recentemente vocês inauguraram uma nova fábrica em Curitiba (são três atualmente). Quantas pessoas a Neodent impacta em termos de empregabilidade?
Alexei Troyano Costa: Hoje, na América Latina, estamos em 3.500 pessoas. No Brasil, são 3 mil. Com a fábrica nova, temos a possibilidade de ampliar para mais 2 mil empregos nos próximos cinco anos, dependendo da demanda. Com isso, chegaríamos a 5 mil colaboradores da Neodent no Brasil. Tribuna do Paraná: A empresa costuma precisar de mão de obra mais operacional, mas também qualificada.
Tribuna do Paraná: Vocês têm a preocupação com o desenvolvimento dos próprios colaboradores?
Alexei Troyano Costa: A gente tem esse cuidado, pois precisa de mão de obra mais qualificada em função das máquinas que temos, mas também para os processos primários e secundários. O que a gente busca é profissionalizar e elevar a educação dos colaboradores da empresa e também das pessoas que estão no entorno das fábricas. A gente forma profissionais nos cursos externos da comunidade e 40% deles já trabalham com a gente.

Tribuna do Paraná: Quais são os próximos passos da empresa, para onde vão apontar as metas e objetivos?
Alexei Troyano Costa: Hoje, 55% da nossa produção já vai para fora do Brasil. São 100 países utilizando os implantes da Neodent. Mas quando a gente fala de market share (participação de mercado), temos apenas 20% fora do Brasil. Tem um mercado muito grande ainda para a gente crescer. Em termos de futuro, a gente quer a consolidação da empresa no mercado internacional, assim como dominamos o mercado brasileiro. Queremos avançar na América Latina, Estados Unidos, Europa, Ásia e, principalmente, na China. Ano que vem a gente entra na China e vai ser um “boom” em termos de negócios…
Tribuna do Paraná: Afinal, tem muita boca por lá, né?
Alexei Troyano Costa: (risos) E a gente sabe que o mercado mundial ainda tem pouco acesso em termos de implantes. Das pessoas que necessitam de um implante, não chega a 10% o número daquelas que já o utilizam. É um mercado muito grande para explorar. Essa expansão internacional também vai acontecer por novas soluções que devemos apresentar em breve. E também por intermédio da educação das pessoas, propiciando que mais pessoas virem dentistas e utilizem os implantes. É um processo, um investimento alto em educação em vários países do mundo, além de apostarmos no crescimento das pessoas, no time de vendas e de suporte.
Tribuna do Paraná: Em qual dos processos atuais a Inteligência Artificial mais se encaixa? De que forma vocês usam essa tecnologia?
Alexei Troyano Costa: Praticamente em todos os processos. Praticamente tudo hoje já vem com inteligência artificial. A gente já tem projetos para a automação de setores da fábrica com inteligência artificial. Temos um aplicativo desenvolvido inteiramente com inteligência artificial, onde o próprio cliente ou paciente pode entender melhor sobre as soluções e sobre o tratamento. Basta perguntar para a Gênia, nossa agente de IA do aplicativo. Temos IA na fábrica, nas vendas, na educação, na inovação, nos processos de inovação e desenvolvimento de software. Tudo está sendo acelerado com IA.
Tribuna do Paraná: Muita coisa sendo criada em casa também?
Alexei Troyano Costa: Bastante. A Gênia e o próprio aplicativo foram criados dentro de casa. Bastante desenvolvimento local com nosso time de tecnologia. Tribuna do Paraná: A gente falou um pouco de custos e valores. Antigamente brincava-se que, quando se fazia um implante, era como se estivesse levando um carro na boca (muitas vezes o custo de um tratamento era equivalente ao de se comprar um carro). E o tempo também, era demorado fazer um tratamento.
Tribuna do Paraná: Como a Neodent mudou essa realidade?
Alexei Troyano Costa: Quando a gente fala em custo do tratamento, o custo envolve tempo também. São duas coisas que fizeram a Neodent ter um diferencial. Uma é a “carga imediata”. O que é a carga imediata? É uma tecnologia em que você coloca o implante e esse implante já fica ancorado no osso, já com condições de colocar a coroa, colocar o dente. E a pessoa já sai com o dente naquele dia ou, no pior dos casos, no dia seguinte. Esse tipo de coisa não acontecia nos tratamentos tradicionais. Você colocava o implante e voltava depois de 3 ou 6 meses, tinha que esperar regenerar o osso para seguir com o processo. Com a carga imediata, que foi aprimorada pelo doutor Geninho junto com seu time, a Neodent conseguiu revolucionar o mercado. No Brasil e no mundo, ganha-se muito tempo de cadeira. Outra é a questão do digital: com o fluxo digital do tratamento, hoje você chega e já faz um escaneamento, já faz um planejamento no computador, o planejamento digital que vai planejar a cirurgia. Aí a cirurgia sai muito mais rápida, com muito mais assertividade, inclusive na parte protética. A coroa sai muito mais rápida, com um ganho de 50% de permanência na cadeira.
Tribuna do Paraná: Essa tecnologia da carga imediata então transformou um tratamento de 6 meses que pode ser concluído em apenas 2 dias?
Alexei Troyano Costa: É isso aí. Exatamente isso. As empresas de todo o mundo escolhem a carga imediata a cada dia mais.
Tribuna do Paraná: Em termos de concorrência, como estão os desafios da Neodent? É um desafio ou tem boca para todo mundo?
Alexei Troyano Costa: As duas coisas. Tem boca para todo mundo, mas a concorrência é boa para o mercado. Nos faz querer ser melhores a cada dia, a buscar sempre uma melhoria de processo, melhoria do produto, melhoria de atendimento e, principalmente, melhoria da experiência do cliente e do paciente. A gente está sempre buscando inovar, não só no produto, mas também na experiência. E a concorrência nos mantém alertas. Hoje o implante brasileiro é reconhecido no mundo como de alta qualidade, de que não perde nada para os implantes europeus, americanos e coreanos. Temos um respeito muito grande pela indústria brasileira.
Tribuna do Paraná: Não quero te colocar em nenhuma cilada, mas tivemos uma eleição semana passada. Como vocês se prepararam para estes momentos pós-eleição?
Alexei Troyano Costa: A gente está preparado para qualquer cenário. Nosso plano estratégico é estar preparado para qualquer governo novo ou para a manutenção de um governante. Só adaptamos um processo ou outro, mas faz parte do jogo. Desejamos que o governo reeleito tenha muito sucesso e que isso ajude a gente também. A gente foca muito no paciente, no cliente, em continuar gerando demanda, em continuar trabalhando para que eles tenham acesso à tecnologia odontológica. Claro que as medidas de um governo podem acelerar ou facilitar ou dificultar esse acesso, mas o nosso trabalho vai ser sempre buscar os caminhos para seguir em frente, não importa o governo.
Tribuna do Paraná: Vocês já conversaram com governos para parcerias?
Alexei Troyano Costa: A gente conversa constantemente com os governos locais, governo estadual, federal, sempre buscando o melhor para a população, para os pacientes, por intermédio de programas sociais. A gente está sempre buscando parcerias com universidades públicas, tudo para buscar dar mais acesso à população, principalmente a uma tecnologia tão disruptiva como essa.
Tribuna do Paraná: Quais são os próximos passos da empresa? Qual o planejamento para o próximo ano, daqui a 5 ou 10 anos?
Alexei Troyano Costa: No próximo ano a gente está lançando um novo sistema de implantes que é um upgrade do sistema atual, uma melhoria especialmente para o dentista e para o paciente. Será um marco bastante relevante, depois de quase 10 anos do lançamento do sistema anterior. Temos a aceleração da fábrica e, claro, a expansão internacional. Tem bastante coisa acontecendo nestes próximos 2 ou 3 anos, que vão deixar a gente bastante ocupado.
Tribuna do Paraná: O que esse novo sistema trará de diferente?
Alexei Troyano Costa: O dentista vai ter mais controle ainda sobre a cirurgia, sobre o processo cirúrgico, sobre a carga imediata, sobre a assertividade do tratamento. Ele vai ter mais capacidade de sucesso na cirurgia. Nesse momento, o foco é maior no profissional, no dentista. Obviamente o paciente também será beneficiado indiretamente. Ele terá melhor controle no serviço que prestará.
Tribuna do Paraná: Além de curitibano, por onde atuou e que experiências trouxe para cá, quando assumiu sua posição há quase dois anos?
Alexei Troyano Costa: Eu acho que eu ainda tô na fase em que mais aprendo do que somo. Eu aprendo para caramba todo dia com o time, com o mercado, com os clientes e com o doutor Geninho. Estou sempre absorvendo tudo de bom que puder. Mas, é claro, a gente também soma algumas coisas. Eu tenho muito tempo atuando em corporações multinacionais, também no mercado da saúde. Trago muita melhoria nos processos, na forma de trabalhar. Procuro trazer melhorias no cuidado com os recursos, na priorização, no plano estratégico para levar a empresa onde ela quer chegar. Então isso tudo é um pouco do que eu fiz nos últimos anos, principalmente fora do país. Foram 15 anos trabalhando fora do Brasil, em diversos países. Isso ajuda muito na aceleração que pretendemos aqui.
Tribuna do Paraná: O que o mundo da odontologia, no Brasil, oferece de desafios para uma empresa como a Neodent? Em termos de saúde pública, onde precisamos olhar com mais cuidado?
Alexei Troyano Costa: No acesso, não só no Brasil, mas no mundo todo. O acesso dessa população que precisa de um cuidado diferenciado, de um tratamento mais moderno para sua saúde bucal, para a reabilitação oral. Então o acesso a este serviço é o nosso grande desafio, não só por uma questão econômica, uma questão de preço. Mas também na qualificação dos profissionais. O Brasil é o país que mais tem dentistas per capita, mas ainda assim faltam profissionais. Por isso que o investimento em educação é muito importante.
Tribuna do Paraná: E políticas públicas, claro. Qual que é o calcanhar de Aquiles das políticas públicas?
Alexei Troyano Costa: Mais formação de profissionais. Mais formação profissional, já desde cedo, profissionais nas universidades sendo formados para a implantodontia, não só para uma odontologia generalista. E também uma política melhor de reembolso, no custeio de toda a cadeia produtiva.
Tribuna do Paraná: Ensino técnico também faria uma diferença nessa equação?
Alexei Troyano Costa: O ensino técnico em odontologia mesmo, com certeza. Mas precisamos mesmo do dentista, que se forma em odontologia. Ele tem que se especializar na implantodontia, nos processos de diferentes tipos de implante. Então, é uma aceleração que tem que começar mais cedo.

