Foi aprovado em primeira votação na Câmara Municipal de Curitiba o projeto de lei que cria o Programa de Reciclagem de Entulho. O material pode ser usado para vários fins, como a construção de casas populares. Eles proporcionariam uma economia de até 40% nos gastos com tijolos, por exemplo. Segundo a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, diariamente são produzidas em Curitiba 2.300 toneladas de entulhos.

De autoria da vereadora Roseli Isidoro (PT), o projeto tem o objetivo de incentivar o uso, a comercialização e a industrialização de materiais recicláveis oriundos da construção civil. "Na maioria das vezes, o entulho é retirado da obra e disposto em terrenos baldios, margens de rios e ruas de periferia. A reciclagem e o reaproveitamento vão ajudar a minimizar os problemas ambientais causados por estes materiais", pondera.

O engenheiro César Daher, diretor do Departamento de Técnicas e Meio Ambiente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Paraná (Sinduscon), explica que os entulhos da construção civil podem ser usados para vários fins. A madeira pode ser prensada e utilizada em lareiras; o aço pode ser tratado e reutilizado; e a caliça – formada por restos de tijolos, telhas, cerâmica, azulejos – pode ser moída e usada para a produção de solocimento. Com o material, é possível fazer tijolos de qualidade até 40% mais baratos do que os convencionais. Além disso, também é possível a construção de paredes inteiras. Outra finalidade da caliça é substituir o saibro usado na pavimentação de ruas.

O projeto prevê a instalação de uma usina de reciclagem, mas não especifica se será de responsabilidade da Prefeitura ou da iniciativa privada. A única cidade paranaense que já conta com o serviço é Londrina.

Segundo a assessora técnica da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Cláudia Boscardin, por enquanto não existe a intenção de criar uma usina pública na cidade. Ela explica que o Plano Integrado de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil, implantando em 2004, seguindo uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), prevê que os detritos podem ter dois destinos. Um deles é a reciclagem e o outro é a construção de aterros próprios para esse fim – que é a alternativa trabalhada pela Prefeitura no momento. "No entanto, devido à escassez de áreas, a reciclagem vai ser a saída no futuro."