Uma reunião organizada às pressas ontem impediu que os vereadores de Ciudad del Este, no Paraguai, votassem uma lei que proibiria taxistas de Foz do Iguaçu, no oeste do Estado, de circular com passageiros dentro da cidade paraguaia. A determinação seria uma represália ao modo que taxistas, mototaxistas e perueiros do país vizinho estariam sendo tratados na aduana na Ponte da Amizade, especialmente no posto da Receita Federal, onde são impedidos de continuar viagem com os clientes até o lado brasileiro.

Ontem pela manhã, cerca de 50 deles repetiram o protesto da última terça-feira e fecharam o acesso de veículos à ponte, pedindo o afrouxamento da fiscalização e melhor tratamento pelos agentes federais brasileiros. Os motoristas só deram passagem após o prefeito de Ciudad del Este, Javier Zacarías Irún, informar que era simpatizante da causa da categoria, que seria discutida na reunião à tarde.

Além dele, participaram do encontro, realizado na sede da Receita, o cônsul do Paraguai na cidade, Hipólito Mendonça, o prefeito de Foz, Paulo McDonald, representantes da Receita e dos sindicatos de taxistas dos dois municípios.

De acordo com Nilton Noel da Rocha, presidente do Sindicato de Taxistas de Foz, a RF explicou que o problema acontece porque não há espaço para os motoristas pararem na aduana enquanto os passageiros declaram as compras. O órgão disse que em dez dias apresentará um estudo sobre a criação de espaço para que os táxis possam parar na ponte. ?Ficamos tranqüilizados com a decisão. Se houvesse a proibição, só aumentaria o problema?, diz Rocha.

O prefeito de Foz também se comprometeu em criar um estacionamento no lado brasileiro onde os veículos também poderão esperar. Segundo Irún, os presidentes dos dois países, Luiz Inácio Lula da Silva e Nicanor Duarte Frutos, devem discutir os temas fronteiriços durante um encontro no próximo dia 30, em Assunção.