O agricultor Luiz Strapasson teve uma surpresa ao examinar o encanamento de seu banheiro. Morador do bairro Sapopema, em Colombo, ele deparou com um buraco de cerca de 1,5 metro embaixo da casa, colocando em risco a sua estrutura. “Ficou um vazio aqui. Não tem terra”, diz Strapasson enquanto mostra a profundidade do buraco. Dentro da casa do agricultor já é possível notar o desnível. Parte a parede está cheia de rachaduras e o chão é oco.

O comerciante Irineu Strapasson, primo de Luiz, vive uma situação semelhante há mais de um ano. Na casa de Irineu pouca coisa se salvou. Durante o dia, ele, sua mulher e filha ficam confinados em uma sala. “Dá medo de ficar no resto da casa. Tá tudo oco”, explica.

O buraco na casa do comerciante chega a dois metros. As portas tiveram de ser cortadas. “A casa afundou e a porta não fechava mais”, conta. Os dois apontam o Aqüífero Karst como causador. O aqüífero é utilizado pela Sanepar no abastecimento de água de municípios da região metropolitana. A exploração dos poços na região de Colombo vem, há tempos gerando reclamações de moradores e ambientalistas. Vazamentos e problemas de erosão são constantes na área.

Sanepar

A Sanepar diz que, a partir de segunda-feira, uma empresa terceirizada vai estudar o caso. No entanto, o geólogo da Sanepar, Marcos Justino Guarda, adianta que o Karst não é o responsável “direto” pelo problema. “Ali é uma região de rochas carbonáticas. A chuva faz com que as rochas sejam dissolvidas, alterando a relação com o solo. Isso é normal”, diz o geológo. Segundo a assessoria da empresa, a Sanepar vai ressarcir os danos de Luiz, independentemente das conclusões do laudo.