Os prejuízos resultantes de assaltos e depredações quase fizeram a Prefeitura de Curitiba remover, ontem, os tubos da estação Ferrovila, na Vila Parolin, por onde passa o expresso Circular Sul. A retirada só não aconteceu porque moradores se mobilizaram para protestar contra a decisão. Em uma manifestação pacífica, cerca de 200 pessoas chamaram a atenção das autoridades com pneus queimados, reivindicando a permanência dos tubos. O pedido foi aceito pelos dirigentes da Urbanização de Curitiba S.A. (Urbs), sob a condição de que os moradores se comprometam a auxiliar na segurança.
Segundo o presidente da Associação de Moradores da Vila Parolin, Edson Pereira Rodrigues, a manifestação começou por volta das 9h30, depois que moradores viram funcionários da Prefeitura removendo os tubos. ?Primeiro disseram que era para manutenção, mas depois descobrimos que não voltariam mais?, disse. A solução foi chamar a atenção da Urbs queimando pneus ao lado das estações, localizadas na Avenida da República. ?Era para verem que a gente queria negociar?, contou. ?A gente é consciente, concordamos com a ação, mas desde que os moradores não paguem pelos maus elementos da favela.?
Cerca de uma hora depois, dirigentes da Urbs foram até o local e reuniram-se com o presidente da associação, decidindo que os tubos continuarão ali por mais 60 dias, sob compromisso de que a comunidade garanta a segurança e a não-depredação das estações. ?Se dentro desse prazo não roubarem ou apedrejarem os tubos, eles ficam. Vamos conscientizar os jovens e falar com os moradores da região para que fiscalizem?, afirmou Edson. Ontem, o presidente da associação prometia ir atrás dos vândalos responsáveis pelos estragos no local. ?São cerca de dez meninos que causam a depredação. As mães deles também serão alertadas para que cuidem dos filhos.?
Se a atitude dos moradores não der certo, Edson diz que será obrigado a concordar com a ação da Prefeitura, ainda que resulte em prejuízos à comunidade. ?Nesse caso, vamos ter de andar mais dez quadras para pegar o ônibus tanto para o Hauer como para o terminal do Portão?, calcula, citando os acessos proporcionados pelos dois sentidos da via. Ontem mesmo ele esperava reunir pelo menos 400 famílias para uma reunião.
Em nota, a Urbs informou que a intenção era desativar as estações-tubo ?em virtude das constantes ocorrências que colocam em risco a integridade de cobradores, motoristas e funcionários que operam o sistema de transporte na região?. Segundo dados da companhia, as estações são algumas das que mais sofrem assaltos e resultam em prejuízos ao sistema de transporte, uma vez que são também alvos de invasões constantes. Somente no ano passado, foram registrados 47 assaltos nos tubos da Avenida da República.


